ECONOMIA

Uso indevido de redes mosquiteiras torna-se maior ameaça ao combate à malária em Nampula

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O Governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, alertou esta quarta-feira (10) que o uso indevido de redes mosquiteiras para pesca, vedação de hortas e construção de capoeiras tornou-se uma das práticas mais graves e destrutivas no combate à malária na província. Para o governante, esta conduta retira protecção às famílias e converte um instrumento de prevenção em fonte de risco direto.

As declarações foram feitas durante a abertura do Fórum Anual Provincial da Malária 2025, um encontro que reúne governo, especialistas, parceiros e líderes comunitários para avaliar a situação epidemiológica e definir estratégias de intervenção. Foi neste contexto que Abdula expôs, de forma frontal, um conjunto de comportamentos que considera estar a sabotar os esforços de prevenção e tratamento da doença.

“Cada rede desviada é uma família que fica desprotegida, é uma criança mais exposta ao mosquito, é uma gestante que corre um risco acrescido. Esta conduta não é apenas má gestão — é uma ameaça directa à vida humana”, afirmou.

Embora tenha destacado o uso indevido de redes como o comportamento mais crítico, Abdula sublinhou que ele se soma a um conjunto de práticas nocivas que persistem no terreno. Entre elas, apontou desvio de medicamentos, cobranças ilícitas em unidades sanitárias, vandalização de infraestruturas de saúde e perseguição a profissionais sanitários. Segundo o Governador, estas acções repetem-se de forma cíclica e fragilizam o sistema de saúde.

A desinformação, disse, é um dos motores dessas práticas. Em várias zonas da província, boatos e manipulação de informação levaram comunidades a rejeitar a pulverização intradomiciliária, a destruir depósitos de material e até a agredir equipas técnicas. “Estas atitudes fragilizam a confiança das comunidades e colocam em risco vidas humanas”, alertou.

O Governador destacou ainda desafios estruturais que agravam o impacto destas práticas. A época chuvosa dificulta o acesso a algumas localidades, estradas degradadas atrasam intervenções e a falta de saneamento básico contribui para a formação de charcos que se tornam criadouros de mosquitos. “A malária está profundamente ligada às condições climáticas, ao saneamento e ao ordenamento do território”, afirmou.

Abdula reconheceu igualmente a escassez de recursos humanos especializados e defendeu o reforço da educação sanitária junto de escolas, líderes comunitários e instituições religiosas.
“A malária combate-se com valores, disciplina e responsabilidade. Sem a participação activa das comunidades, não haverá progresso sustentável”, avisou.

O Governador apelou ainda à responsabilidade colectiva e ao impacto económico da doença. “Onde há malária forte, há economia fraca”, disse, garantindo que práticas nocivas serão alvo de responsabilização rigorosa.

“Malária Fora’ é um convite à acção. Só com disciplina colectiva transformaremos Nampula num território mais seguro, saudável e resiliente.” Assane Júnior

 

 

 

 

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