SOCIEDADE

UniRovuma desenvolve farinha de mandioca enriquecida com alto valor nutricional

Publicado há

aos

Investigadores da Universidade Rovuma (UniRovuma) anunciaram recentemente uma inovação no campo da segurança alimentar: o desenvolvimento de uma farinha de mandioca enriquecida com nutrientes essenciais como cálcio, magnésio e vitaminas, capaz de melhorar significativamente a nutrição das populações, especialmente em crianças.

Segundo o Professor Doutor Mário Jorge Caetano Brito dos Santos, reitor da instituição, trata-se de uma investigação conduzida por jovens académicos da universidade, que procuraram soluções locais e sustentáveis para o combate à desnutrição. “A farinha de mandioca tem um valor calórico aceitável, mas baixo valor nutricional. Conseguimos enriquecê-la usando elementos naturais de baixo custo, muitos dos quais são normalmente descartados como resíduos”, explicou.

O resultado é um produto com elevado potencial para fortalecer o desenvolvimento físico e cognitivo de quem o consome. “Crianças que ingerem esta farinha desenvolvem ossos mais fortes, melhor capacidade de concentração e crescimento cerebral adequado. É um contributo concreto da ciência moçambicana para a saúde pública”, garantiu.

A UniRovuma já registou a fórmula como propriedade intelectual da instituição e agora convida o governo, o sector privado e a sociedade em geral a adoptarem o produto. “A nossa missão é investigar e apresentar soluções. Cabe ao Estado e aos empresários levarem este produto à escala nacional”, afirmou o reitor.

O Reitor da UniRovuma, Mário Jorge Caetano Brito dos Santos, defende maior valorização do conhecimento académico

A farinha enriquecida junta-se a outros produtos e protótipos desenvolvidos pela universidade, como modelos anatómicos criados por estudantes para apoiar o ensino nas escolas secundárias e primárias. “Temos protótipos do sistema respiratório, digestivo, do cérebro… tudo feito com materiais locais. O sector privado deveria investir nisso, em vez de importarmos materiais educativos do estrangeiro”, apelou.

A UniRovuma reforça, assim, o seu compromisso com a ciência aplicada, a valorização de produtos locais e o combate à má nutrição. “O conhecimento que produzimos deve estar ao serviço do povo. A universidade só cumpre o seu papel quando está enraizada na realidade nacional”, disse.

UniRovuma quer ser motor de desenvolvimento nacional

Num contexto marcado por profundas desigualdades sociais, múltiplas crises económicas e desafios de segurança, a Universidade Rovuma (UniRovuma) pretende assumir um papel mais interventivo e transformador no desenvolvimento de Moçambique, apostando numa articulação mais efectiva com o governo, a sociedade civil e o sector privado.

“As universidades têm muita boa informação, muito bons produtos, mas o governo e outras instituições raramente os aproveitam”, afirmou o reitor, Professor Doutor Mário Jorge Caetano Brito dos Santos. Moçambique conta com centenas de doutorados — muitos formados na Austrália, Japão, Alemanha, Brasil, Portugal e outros países — cujos estudos, segundo o académico, continuam alheios às políticas públicas e ao planeamento nacional.

Com 115 Doutores no seu corpo docente, a UniRovuma desenvolve investigação aplicada em áreas como educação, saúde, engenharias, ciências naturais e cultura. “A pergunta que se impõe é: de que forma estas teses foram aproveitadas pelo governo, pelos partidos, pela sociedade civil? Infelizmente, não foram”, lamentou.

Mário Brito dos Santos, defende que é hora de mudar a percepção da universidade como espaço de retórica e valorizá-la como produtora de soluções concretas para os desafios do país. “Temos de valorizar o conteúdo, o saber técnico e científico. Não basta sabermos discursar bem ou termos carisma político; é preciso saber resolver, saber transformar”, afirmou.

A UniRovuma reafirma, assim, a sua missão como instituição pública comprometida com o progresso do país e com o envolvimento directo das comunidades. Para tal, insiste na necessidade de aproximação entre ciência e governação, defendendo que Moçambique só avançará se souber tirar proveito do conhecimento que já possui. Faizal Raimo

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas

Exit mobile version