CULTURA

Stand de Nampula encanta no Festival de Cultura ao unir estética feminina e identidade cultural

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O stand de Nampula no XII Festival Nacional de Cultura tem sido um dos mais visitados e elogiados, pela forma como mistura tradição, estética e identidade colectiva. Ali, os produtos invisíveis da beleza e da sexualidade feminina macua, como o musiro, as miçangas, a argila ou o rícino, convivem com expressões literárias e artísticas que resgatam o património cultural e reforçam o sentido de pertença.

João Sualehe Afito, conhecido como Fava no artesanato, é um dos que mais atrai olhares e curiosidade. “Temos os brincos, colares, pastas, musiro, argila, miçangas, tudo o que faz parte da beleza da mulher. Trago a identidade da província, pelos hábitos e costumes. As pessoas não querem só comprar, querem saber as histórias e os significados. Então, além de expositor, torno-me também professor”, contou, destacando a procura por produtos ligados à estética feminina, mas que são também símbolos de memória cultural.

João Sualehe Afito, conhecido como Fava no artesanato, mostra colares, miçangas, musiro e outros elementos da estética feminina macua, que atraem curiosidade e visitantes ao stand de Nampula.

A escritora Zainabo Alfredo Aníbal acrescenta outra camada a esta mistura. No espaço literário, apresenta obras de referência de autores de Nampula e a sua própria criação, que apela à autodescoberta e ao reencontro do ser humano consigo mesmo. “Muitas vezes não nos conhecemos e acabamos a vaguear. Na minha obra remeto para a importância de cada pessoa se amar, conhecer e reprogramar-se. Isso também é cultura, porque fala da nossa identidade interior e colectiva”, afirmou.

A escritora Zainabo Alfredo Aníbal apresenta obras literárias no stand de Nampula, destacando a importância da autodescoberta e da valorização cultural macua.

O stand vai além da estética e da literatura: resume a diversidade artística de todos os distritos, criando um lugar de intercâmbio e união. “O festival não é só expor, é também aprender com os outros e criar laços culturais que nos tornam familiares”, resumiu Fava.

Assim, entre a procura pelos segredos da beleza feminina, o fascínio pelo património material e imaterial e a afirmação da identidade colectiva, Nampula afirma-se como espaço de encontro e de encantamento no festival. O seu stand é mais do que uma tenda de exposição: é um espelho da memória, do orgulho e da coesão cultural da província. Vanésio Valder,  Tete

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