SOCIEDADE
SoldMoz apela ao Governo para romper com o passado e combater a corrupção com transparência
O Director da Solidariedade Moçambique (SoldMoz), António Mutoua, apelou ao Governo para romper com o passado e adoptar uma governação assente na transparência, integridade e responsabilização na gestão dos fundos públicos.
O apelo surge na sequência do recente escândalo de desvio de mais de 33 milhões de dolares , envolvendo recursos da Conta Única do Estado, um caso que reacendeu o debate sobre a corrupção e a impunidade no país.
Falando em tom crítico, Mutoua afirmou que é tempo de Moçambique aprender com os erros do passado. “Eu espero que este governo, quando terminar o seu mandato, não nos decepcione. Que aprenda com os dois timoneiros anteriores, Guebuza e Nyusi, que de certa maneira envergonharam o país. Moçambique precisa de líderes que saiam de cabeça erguida, com missão cumprida e não de líderes que saem envergonhados por causa da corrupção”, declarou.
Para o dirigente, a corrupção continua a ser o maior obstáculo ao desenvolvimento nacional, provocando estagnação económica, perda de confiança nas instituições e agravamento das desigualdades sociais. “Enquanto persistirem práticas de corrupção e impunidade, Moçambique continuará a enfrentar crises políticas e sociais que afectam directamente o bem-estar da população”, advertiu.
Mutoua defendeu que o combate à corrupção deve constituir uma prioridade nacional, apelando às instituições de justiça para actuarem com firmeza. “A Procuradoria deve agir agora, com coragem e transparência. O país precisa ver resultados. Este é o momento de mostrar que as instituições funcionam e que o Estado pertence ao povo, não aos bandidos”, sublinhou.
O Director da SoldMoz sublinhou ainda que a luta contra a corrupção não deve ser apenas institucional, mas também social e cívica, envolvendo todos os cidadãos. “A sociedade civil deve manter-se vigilante e mobilizada. Cada moçambicano tem o dever de denunciar actos ilícitos e exigir uma governação responsável”, afirmou.
Segundo Mutoua, a actual conjuntura oferece ao Governo uma oportunidade histórica para restaurar a confiança do povo nas instituições e marcar uma viragem ética na história política do país. “A história julgará este governo, como julgou os anteriores. Cabe-lhe decidir se quer ser lembrado pela coragem de mudar ou pela cumplicidade com o mal que consome Moçambique”, concluiu. Vânia Jacinto