ECONOMIA
SdE de Nampula volta a acusar redes externas de desestabilizar Mavuco para favorecer contrabando de pedras
O Secretário de Estado da província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, voltou esta quarta-feira (19) a acusar grupos externos de desestabilizarem as comunidades de Mavuco e Chalaua, no distrito de Moma, através de actos de vandalização destinados a abrir espaço ao contrabando de pedras preciosas.
A denúncia foi reiterada durante a visita às infraestruturas destruídas em Chalaua-sede, no âmbito da deslocação que o dirigente efectua ao distrito de Moma, uma zona marcada por sucessivas instabilidades e apontada como epicentro das manifestações violentas que eclodiram após as eleições do ano passado.
Segundo o dirigente, os relatos colhidos no terreno indicam que a população local não participou das destruições. Pelo contrário, sublinhou que as comunidades “estavam com o Governo e defendiam as autoridades”. “A indicação que se dá aqui é que foram grupos organizados vindos de fora que vieram destruir”, afirmou.
Plácido Pereira recordou que esta realidade não é nova. Em Mavuco, uma área rica em ouro e pedras preciosas, o Governo tem identificado movimentos coordenados que procuram criar instabilidade para favorecer redes de mineração ilegal. “Esta questão do contrabando de pedras pode estar a desorganizar as empresas legalmente instituídas, para que haja mineração ilegal. As empresas pagam impostos ao Estado; os traficantes não. São recursos que saem e o Estado não ganha nada”, afirmou.
O Secretário de Estado lamentou que, apesar da presença de várias mineradoras legalmente licenciadas, as comunidades continuem a viver modestamente, sem beneficiar proporcionalmente dos recursos que saem da região. Por isso, reforçou o apelo às empresas mineiras para intensificarem a responsabilidade social e aprofundarem o diálogo com as autoridades e com a população local.
Pereira explicou ainda que o Governo provincial, em coordenação com a Polícia da República de Moçambique, tem reforçado as acções de segurança, com apoio logístico das mineradoras e a colaboração de seguranças privados, a fim de proteger a exploração legal e travar as redes que actuam clandestinamente. “Há um trabalho contínuo para garantir a segurança das empresas e impedir a acção destes grupos criminosos”, destacou.
Governo funciona em tendas improvisadas
Durante a mesma visita, Plácido Nerino Pereira confirmou que a Administração local de Chalaua está actualmente a funcionar provisoriamente em tendas, depois de as suas infraestruturas terem sido destruídas nas recentes manifestações violentas.
A secretaria comum do posto administrativo, anteriormente instalada em edifícios considerados “de nível comparável a sedes distritais”, funciona agora numa tenda improvisada enquanto o Governo mobiliza recursos para a sua reconstrução.
De acordo com o Secretário de Estado, a população e empresários locais já iniciaram pequenas reabilitações emergenciais, mas a reposição total das infraestruturas dependerá dos cerca de 800 milhões de meticais necessários para reparar os danos provocados pela vandalização e pelos ciclones que abalaram a província. Faizal Raimo