ECONOMIA
Saúde perde contacto com Memba e compromete vigilância da cólera
A vigilância epidemiológica no distrito de Memba entrou em colapso total, após milhares de residentes, incluindo profissionais de saúde, terem abandonado a zona devido à violência armada. A confirmação foi dada esta terça-feira (18) pela Directora Provincial de Saúde de Nampula, Selma Xavier, que revelou que há três dias não entra qualquer informação clínica ou sanitária proveniente do distrito.
Segundo a responsável, a interrupção da comunicação impede o registo e a monitorização de doenças, precisamente num momento em que Memba já acumulava 217 casos de cólera e dois óbitos, para além de 118 casos de sarampo registados antes da perda de contacto. “Perdemos o controlo da vigilância. Deixámos de ter repórteres e de fazer seguimento dos casos porque a população e os profissionais já não estão em Memba”, explicou Xavier.
O colapso da vigilância ocorre num cenário de deslocação massiva, que empurrou as famílias para os distritos de Eráti, Nacala-a-Velha, Nacala-Porto e Meconta, onde as autoridades estão agora obrigadas a redireccionar os esforços de rastreio. A directora sublinhou que, apesar da ausência de dados provenientes do epicentro do conflito, as equipas de saúde permanecem activas nos centros de acolhimento para monitorar sinais de cólera, diarreias aquosas e sintomas compatíveis com sarampo, sobretudo entre crianças.
Neste contexto, as autoridades sanitárias trabalham com o INGD e com as Obras Públicas no mapeamento dos deslocados, no acompanhamento das crianças e na avaliação das condições de água e saneamento. A vigilância passa agora a depender exclusivamente do rastreio nos locais de acolhimento. “Estamos a seguir os casos onde as pessoas estão hoje, mas em Memba, neste momento, não temos qualquer informação”, reiterou Selma Xavier.
A ausência total de dados transforma o distrito numa zona cega do ponto de vista epidemiológico, elevando o risco de surtos silenciosos de cólera e de sarampo, retardando respostas emergenciais.
Reforçada vigilância sanitária nos centros de acolhimento
Como resposta imediata ao colapso da vigilância em Memba, a Directora Provincial de Saúde anunciou o reforço da vigilância sanitária nos centros que acolhem os deslocados, actualmente concentrados em Eráti, Nacala-a-Velha, Nacala-Porto e Meconta. A medida visa compensar a falta de informação proveniente do distrito e garantir a detecção precoce de casos de cólera, sarampo e outras doenças.
Segundo Xavier, equipas de saúde trabalham no terreno com o INGD e Obras Públicas para mapear famílias, acompanhar a entrada de crianças e adultos e avaliar condições de água, saneamento e higiene. O rastreio incide sobre sinais de cólera, diarreias aquosas e sintomas compatíveis com sarampo, além de campanhas de educação sanitária para reduzir riscos em ambientes de aglomeração.
“Estamos a controlar água, sanitários e ambiente para evitar doenças”, afirmou a directora. As equipas de saúde permanecerão nos centros com visitas regulares, enquanto se aguardam condições para retomar a vigilância epidemiológica em Memba. Redacção