ECONOMIA
Saída da pobreza: Reitor da UniRovuma propõe Estado accionista nos recursos extractivos
O reitor da Universidade Rovuma defendeu uma maior intervenção do Estado na exploração dos recursos extractivos como estratégia para impulsionar o desenvolvimento económico e tirar Moçambique da pobreza.
Segundo Mário Jorge Caetano Brito dos Santos, o país deve deixar de actuar apenas como arrecadador de impostos e passar a participar directamente nos grandes projectos económicos, assumindo uma posição mais activa na gestão das suas riquezas.
“O Estado não deve limitar-se a cobrar impostos. Deve ter participação nas empresas e acompanhar de perto a exploração dos recursos, para saber quanto ouro, rubi e outros minerais saem do país e garantir maior controlo e benefício nacional”, afirmou.
Na sua análise, esta abordagem permitirá reforçar o controlo sobre recursos estratégicos, aumentar a transparência e assegurar maior retorno financeiro para o Estado.
O dirigente defende ainda que o país deve acompanhar de perto a produção e comercialização de minerais e pedras preciosas, incluindo a participação accionista do Estado nos projectos mais rentáveis.
“O Estado precisa ser accionista dessas empresas, sobretudo nos negócios mais lucrativos, para garantir benefícios concretos para o país”, acrescentou.
O posicionamento surge numa altura em que Moçambique foi recentemente classificado entre os países mais pobres do mundo, cenário que, segundo o académico, exige respostas internas e estruturais.
“O que podemos fazer diferente para que esta pobreza de hoje seja ultrapassada”, questionou, defendendo que os problemas devem ser encarados como oportunidades de aprendizagem.
Para o reitor, a superação da pobreza depende da capacidade de o país interpretar correctamente os seus desafios e construir respostas ajustadas à sua realidade.
“Moçambique pode sair desta crise, mas é preciso assumi-la como nossa e procurar soluções próprias. As universidades devem liderar esse processo, embora muitas vezes sejam ignoradas nas decisões estratégicas do país”, afirmou.
Na sua visão, a dependência de soluções externas limita a inovação e compromete o desenvolvimento sustentável, defendendo que os académicos devem questionar permanentemente a realidade e propor caminhos viáveis.
Concluiu que o futuro do país passa por uma gestão mais estratégica dos recursos extractivos e pela valorização do conhecimento interno como base para o desenvolvimento.