SOCIEDADE
Revista Vida Nova celebra 65 anos com simpósio e livro comemorativo
A revista Vida Nova celebrou nesta terça-feira, 16, os seus 65 anos de existência com um simpósio que coincidiu com o lançamento do livro comemorativo VN65.
Criada em 1959, na cidade de Nampula, a publicação tornou-se um marco da comunicação da Igreja em Moçambique. Segundo a Igreja Católica, é hoje a única revista eclesial do país que se mantém activa, firme na missão de usar uma linguagem simples e acessível, voltada para o povo humilde. Ao longo das décadas, consolidou-se como instrumento pastoral e de serviço ao povo de Deus, abordando temas de fé, evangelização, reflexão e diálogo entre Igreja, cultura e sociedade.
O Bispo Auxiliar da Beira, Dom António Constantino, descreveu a Vida Nova como “um testemunho de fidelidade, reflexão e serviço ao povo de Deus”, sublinhando que a revista representa um dos maiores marcos da comunicação católica em Moçambique. O prelado desafiou ainda a equipa editorial a reforçar a presença digital e incentivou estudantes a investigarem o impacto da publicação na sociedade moçambicana.
Na apresentação do livro, o Professor Thomas Selemane afirmou que a Vida Nova sempre foi mais do que um veículo religioso, constituindo-se desde 1959 como espaço de debate social e político. Para o académico, a revista acompanhou a evolução do país, da censura colonial à liberdade de expressão consagrada pela Constituição de 1990, posicionando-se como uma voz profética e apartidária, comprometida com a justiça social, os direitos humanos e a formação da consciência política dos cidadãos.
O livro VN65: uma voz profética de Moçambique, reúne análises sobre o carácter sociopastoral da revista, os seus desafios perante a transformação digital e testemunhos que mostram a diversidade do público leitor. Refuta preconceitos comuns, esclarecendo que a Vida Nova não é destinada apenas ao meio rural ou a pessoas com pouca escolaridade, mas representa uma verdadeira “sinfonia de pensamento” que acolhe múltiplas vozes e experiências.
Entre as mensagens centrais que marcam a sua trajectória, o livro destaca três pilares: a dignidade da pessoa humana, a justiça e o bem comum, e a reconciliação e a esperança. Para Selemane, a Vida Nova é não apenas registo histórico, mas também um manual de inspiração e compromisso com um Moçambique mais justo, reconciliado e participativo. Faizal Raimo