POLÍTICA
RENAMO volta a denunciar infiltrações e acusa forças externas de sabotagem interna
A RENAMO (Resistência Nacional de Moçambique) voltou esta quarta-feira a denunciar a existência de infiltrações e acções de sabotagem interna, alegadamente promovidas por forças externas interessadas em travar a ascensão do partido ao poder. Embora se trate de uma denúncia recorrente, desta vez ela foi assumida publicamente por um combatente da democracia, o general Fernando Matuazanga, em representação da Associação dos Combatentes pela Democracia (ACOLDE).
Falando em conferência de imprensa na cidade de Nampula, Matuazanga descreveu o momento como crítico para a integridade do partido, alertando para a presença de indivíduos infiltrados que estariam a promover o encerramento de delegações políticas e a exigir a demissão da actual liderança da RENAMO, em clara violação dos canais estatutários e da disciplina interna.
“Existe um grupo que não quer ver a RENAMO no poder. São os inimigos da verdadeira democracia em Moçambique. Sempre existiram, e continuam activos até hoje. A nossa democracia está doente porque há forças que a distorcem para impedir a alternância. E como agem? Tentam fragilizar a RENAMO, infiltrando e manipulando alguns dos nossos”, denunciou.
O combatente sublinhou que estas manobras de divisão são bem conhecidas e seguem o velho método de “dividir para reinar”, estratégia que, segundo ele, tem sido usada historicamente contra a RENAMO por actores que sempre se opuseram a uma mudança política real em Moçambique.
“Apelamos aos membros e à sociedade para não se deixarem enganar. Estas manobras visam desorganizar o partido e frustrar os ideais democráticos pelos quais muitos deram a vida.”
Apesar da gravidade das acusações, Fernando Matuazanga assegurou que a RENAMO permanece firme, estruturada e aberta ao diálogo interno, e reforçou a importância do respeito pelos mecanismos e órgãos do partido.
“A RENAMO tem os seus órgãos próprios. Toda e qualquer preocupação, legítima ou não, deve ser tratada nos canais internos. Os assuntos da casa não se resolvem na rua.”
Apelando à unidade, o general dirigiu-se aos membros da ACOLDE e aos simpatizantes da RENAMO para que se mantenham vigilantes e leais à causa.
“Devemos honrar a memória dos nossos colegas que tombaram pela democracia. O nosso compromisso com a liberdade e com um Moçambique verdadeiramente democrático continua inabalável.”
A liderança do partido não descarta a possibilidade de intensificar a vigilância interna e mobilizar os seus quadros no terreno para fortalecer a coesão partidária, num momento em que, segundo Matuazanga, se desenham esforços sérios para desestabilizar o maior partido da oposição. Vânia Jacinto