SOCIEDADE

Recuperação pós-manifestações custará mais de 800 milhões de meticais em Nampula: Régulo apela a prevenção sistemática para evitar novas crises

Publicado há

aos

O analista político Maurício Régulo defende que o Governo moçambicano deve agir de forma preventiva e gerir melhor as crises, de modo a evitar que, no futuro, tenha de gastar somas avultadas para repor bens públicos que já existiam. A posição surge após o Conselho dos Serviços Provinciais de Nampula anunciar que serão necessários cerca de 800 milhões de meticais para reconstruir infraestruturas destruídas nas manifestações pós-eleitorais de 2024, sem contabilizar os prejuízos privados.

Para Régulo, é fundamental que o executivo faça uma gestão equilibrada dos problemas que o país enfrenta, de modo a evitar que o descontentamento social volte a explodir nas ruas. “Primeiro, é de louvar a iniciativa governamental em repor os bens públicos vandalizados, visto que é dever do Estado prover as necessidades dos cidadãos. Mas o montante envolvido é demasiadamente exagerado e isso fará com que o executivo provincial deixe de lado prioridades como medicamentos, salas de aula, carteiras e outras necessidades, considerando a nossa (in)capacidade de colecta de receitas”, advertiu.

O analista sublinhou que, além de reparar os danos materiais, o Governo precisa aprender com as lições deixadas pelas manifestações, um fenómeno inédito no país em termos de violência urbana. “Foi um fenómeno novo que apanhou o Estado numa encruzilhada. Os agentes da lei e ordem, que tinham a obrigação de proteger, passaram de protectores a agressores, e os manifestantes começaram a responder na mesma proporção. Quem manifestava não eram apenas desocupados, mas todos os segmentos da sociedade, incluindo pessoas bem posicionadas”, destacou.

Régulo também questionou a ausência de medidas claras para apoiar empresários e cidadãos cujos bens privados foram destruídos. “No que toca ao posicionamento do Governo, revela-se até certo ponto compromisso com o povo, mas como ficará aquele empresário que perdeu os seus bens? Sei que existe um fundo para recuperação económica, mas não estou muito bem informado sobre as modalidades de aquisição”, questionou.

O especialista defende que este é o momento ideal para uma reflexão profunda sobre o tipo de Estado que Moçambique quer construir e sobre as estratégias de prevenção de crises sociais. “Temos de olhar para as causas e não apenas para as consequências, para que não tenhamos de viver novamente episódios de destruição que comprometem o futuro de todos”, concluiu.  Isabel Abdala

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas

Exit mobile version