OPINIÃO

Quebrar o silêncio para afugentar os  males do mundo

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Quando o silêncio deixa de ser uma virtude passa a ser um mal a ser derrubado. A sabedoria, neste caso, é sempre a escolher o bem e fugir o mal.

O silêncio é uma virtude porque indica a maturidade de uma pessoa que abre a boca no momento certo e na hora certa.

O silêncio auxilia na vivência da prudência e no discernimento face aos problemas que devem ser encarados.

O silêncio enaltece a escuta porque enquanto o outro fala, a atenção é crucial para a compreensão do que o interlocutor está a abordar.

O silêncio é o reflexo de uma pessoa madura que não se apavora com o barulho do mundo, não se afoga na solidão, mas se concentra em si para aprofundar algum tema importante.

O silêncio acalma a alma e rejuvenesce o espírito enquanto o barulho do mundo provoca o estresse e o Burnout.

O silêncio permite que olhemos nos outros com maior profundidade.

O silêncio permite-nos  contemplar a beleza da natureza, dos outros e de nós mesmos.

O silêncio ajuda-nos a julgar as situações, as ideias e não as pessoas, pois o outro não deve ser julgado, mas, sim, os seus pensamentos que podem ser certos ou errados.

O silêncio eleva-nos ao nível dos sábios e a fuga dos insensatos.

No entanto, quando deparamos uma situação que exige uma intervenção imediata, o silêncio pode denunciar muita coisa escondida em nós como o medo, a covardia, a depressão e outros males.

O silêncio de milhares  face aos problemas que o mundo enfrenta,  denuncia o individualismo, a covardia, a apatia e a falta de compaixão.

Nesta breve reflexão, pretendemos convidar a todos a sair da covardia para nos unir na luta pelo bem comum.

Ao acordarmos, temos que escolher: lutar pelo bem comum ou manter o silêncio covarde, não obstante aos males que iremos deparar.

O silêncio tem limites quando há um grito de auxílio, quando há “SOS”, quando nos solicitam alguma intervenção e alguma denúncia necessária e urgente.

Temos que quebrar o silêncio para denunciarmos o mundo das guerras que infectam vários países. Quando escolhemos manter o silêncio, embora saibamos que os outros estão a morrer, estamos a concordar com os fazedores de guerras.

Quando mantemos o silêncio apesar das notícias de mortes de crianças, rapto de menores e avanço da crise humanitária em várias partes do mundo, estamos a nos declarar aliados aos sanguinários.

Temos que  quebrar o silêncio e denunciarmos  algumas práticas ilícitas nas instituições públicas, pois o nosso silêncio nos torna corruptos passivos.

A corrupção passiva não é somente aquela  que é praticada pela pessoa corrompida, mas também por aquela pessoa que relativiza a corrupção no seu silêncio.

Temos que quebrar o silêncio e denunciarmos os desmatamentos das nossas florestas, a destruição do bioma e da instalação de indústrias em locais de conservação ambiental. Quando mantemos o silêncio, ganhamos indiretamente os lucros pelo fato de optarmos pelo silêncio.

Temos que quebrar o silêncio para denunciarmos os governos que prometem milhares de coisas, mas no final do dia não conseguem nem sequer, por exemplo,  pagar salário aos professores.

Temos que quebrar o silêncio quando presenciamos aglomerações nos hospitais onde não se realizam os serviços básicos como cirurgias por falta de anestésicos ou tratamento de malária porque as farmácias dos hospitais não dispõem de remédios.

Se escolhemos manter o silêncio, nos juntamos aos que matam os pacientes.

Temos que quebrar o silêncio ao percebermos que houve verbas para a construção de estradas, mas um pequeno grupo apoderou-se do fundo. Se calamos a boca, então já obtivemos gorjetas dos que assaltaram o dinheiro do povo sem precisar de força nem de armas.

Temos que quebrar o silêncio quando as escolas deixam de ser escolas mas passam a ser  “centros de diversão”, quando deixam de ser espaços de ensino e aprendizagem, pois os professores estão desmotivados ou os alunos estão cansados de sentarem no chão durante as poucas aulas.

Se escolhemos manter o silêncio, também nos tornamos destruidores de sonhos dos futuros doutores.

Temos que quebrar o silêncio para denunciarmos as atitudes que visam a degradação dos princípios e valores morais que a humanidade deve observar. Se a opção for do silêncio, então poderemos ser os piores covardes.

Portanto, assumamos a atitude corajosa de quebrar o silêncio para denunciarmos os males que ferem as nossas sociedades para construirmos um mundo melhor, um mundo mais fraterno, um mundo mais humano, um mundo mais ético e de justiça e paz.

Vamos juntos quebrar o silêncio?

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