ECONOMIA

Privados montam ponte de madeira e cobram portagem no rio Muecate em Nampula

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Há mais de cinco meses, o acesso entre as duas margens do rio Muecate — que separa a vila-sede do distrito do posto administrativo de Imala, em Nampula — é feito por uma estrutura rudimentar de madeira, erguida no lugar da ponte destruída pelo ciclone JUDE, que atingiu a região nos dias 9 e 10 de Março deste ano.

O que poderia ter sido uma solução solidária de emergência transformou-se num negócio lucrativo para um grupo de indivíduos que decidiu cobrar à exemplo de portagem pela travessia.

Os valores variam entre 25 e 200 meticais, dependendo do tipo de transporte ou da negociação feita com os utentes. Até peões são obrigados a pagar, numa cobrança feita de forma informal e sem qualquer respaldo legal.

A situação foi denunciada por um missionário católico que, acompanhado de dois animadores, viveu a experiência de atravessar a estrutura. “Quando lá chegámos, percebi que não havia ponte — apenas umas tábuas soltas sobre o rio. Tivemos de atravessar assim mesmo. Paguei 50 meticais, tal como os dois animadores que me acompanhavam, e confiei em Deus para chegarmos ao outro lado”, contou o padre Jeremias do Rosário Augusto Manuel, num artigo  em que manifestou profunda indignação com a precariedade e o risco envolvidos.

O Rigor apurou que a prática começou logo após a destruição da ponte, em Março. Primeiro surgiram canoeiros que cobravam pela travessia. Mais tarde, outros indivíduos instalaram o pequeno tabuleiro de madeira, sem qualquer segurança, e passaram a controlar a passagem.

Enquanto isso, as autoridades locais e provinciais mantêm-se em silêncio. Não há registo de intervenção para repor a travessia segura ou travar a cobrança considerada ilegal pelos residentes. O resultado é que a população, já afectada pelas consequências do ciclone, continua refém de um esquema privado para se deslocar.

Recorde-se que o ciclone destruiu duas pontes na região: a do rio Muecate e a do rio Monapo — esta última liga Nacavala à vila e teve o trânsito restabelecido há dois meses. Sem a ponte sobre o rio Muecate, quem se desloca de carro até Imala precisa de percorrer um desvio pela via Meconta–Namialo, atravessar a ponte sobre o rio Monapo, seguir por via Eráti, passar pela localidade de Napala e, só então, aceder ao posto administrativo de Imala. Redacção

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