SOCIEDADE

Politização corrói sistema de educação em Moçambique, alerta Baptista Mucheiabande

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O académico e activista social Baptista Eduardo Mucheiabande denuncia que a politização e as nomeações partidárias no sector da educação estão a corroer a qualidade do ensino em Moçambique. Ao Rigor, o especialista em Direcção e Gestão Educacional alertou que a submissão da escola aos interesses políticos compromete a meritocracia, desvaloriza os professores e fragiliza o futuro dos estudantes.

“Quando o critério para ocupar cargos de direcção deixa de ser a competência e passa a ser a filiação política, não só se desvaloriza o trabalho dos professores dedicados, como também se sufoca a meritocracia. Estas práticas geram medo e submissão, criando um sistema incapaz de formar cidadãos críticos e preparados para os desafios do país”, afirmou Mucheiabande.

O académico considera que políticas como a passagem automática arrastam fragilidades desde o ensino básico até ao superior. “Um aluno pode chegar à 12.ª classe sem saber ler nem escrever correctamente, porque transitou sem adquirir competências básicas. Muitos só começam a aprender na universidade, e isso compromete a qualidade da formação académica”, denunciou.

Acrescentou que a imposição de currículos sem debate crítico retirou à educação a capacidade de formar cidadãos com competências sólidas, limitando o pensamento crítico e a criatividade dos estudantes.

Mucheiabande também acusou as universidades de alimentarem a crise. “Muitos reitores sabem das corrupções e não actuam. Hoje, para abrir uma universidade, pouco importa a sua capacidade real, porque não existe inspecção rigorosa. Isso demonstra falta de compromisso com a mudança, e assim o país continuará a afundar”, alertou.

Segundo ele, a corrupção e o compadrio transformaram-se num círculo vicioso que perpetua a mediocridade. “Grande parte dos problemas que enfrentamos nos sectores do país nasce no sistema educativo. Ao submeter a educação aos interesses políticos, hipotecamos o futuro das nossas crianças e comprometemos o desenvolvimento nacional.”

Para o académico, a solução começa no ensino básico e secundário, onde devem ser construídos os alicerces do conhecimento. “Não se pode começar a aprender no primeiro ano da universidade. O ensino básico e secundário devem preparar a base. Sem base sólida, não há como ter um edifício bonito”, comparou.

Mucheiabande defendeu ainda que Moçambique precisa de professores motivados, escolas com condições dignas e programas de ensino que preparem os alunos para pensar e criar, e não apenas decorar. “Precisamos de um compromisso sério e colectivo, capaz de formar gerações com conhecimento real, e não apenas com diplomas. Só assim poderemos garantir o futuro do país.” Assane Júnior

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