SOCIEDADE
Policiamento faz falta em Namicopo
Cada dia sem policiamento agrava o clima de medo em Namicopo, um dos bairros mais populosos e historicamente associados a altos índices de criminalidade na cidade de Nampula. Desde que a Terceira Esquadra da Polícia foi vandalizada durante as manifestações eleitorais de 2024, os moradores vivem em estado de alerta e apelam, com crescente ansiedade, pela conclusão das obras da nova unidade policial.
Actualmente, a população recorre a postos distantes, como os de Napipine e Carrupeia, que, segundo os moradores, não conseguem dar resposta eficaz à dimensão dos problemas de segurança no bairro. “Sofremos muito desde que a nossa esquadra foi vandalizada. Dia após dia, os casos pioram. Há assaltos na Rua da França e na estrada principal, taxistas são amarrados e lhes tiram as motorizadas”, denunciou António Papuseco, secretário do bairro.
A nossa equipa de reportagem visitou o local onde decorrem as obras da esquadra e constatou que as obras decorrem, mas com visível lentidão. Há pedreiros no terreno, mas os residentes queixam-se da constante falta de materiais. O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, prometeu concluir a esquadra dentro de três meses, explicando que os trabalhos avançam com base em apoios, uma vez que, após a destruição da esquadra pela população, não havia fundos previamente disponíveis. Ainda assim, os moradores temem que o ritmo actual comprometa o cumprimento da promessa.
“Com a presença policial, os criminosos pensam duas vezes. Agora, fazem o que querem e à luz do dia”, lamentou Mussagy Amade, morador que foi assaltado recentemente: “Vandalizaram minha porta, levaram o meu televisor, telefone e chaleira. A esquadra faz-nos muita falta.”
Recorde-se que, para além da esquadra, o bairro de Namicopo também perdeu a escola e o centro de saúde local durante os episódios de violência, e estes serviços continuam em obras, agravando o sentimento de abandono entre a população. Redacção