ECONOMIA
PODEMOS diz que continua a ser um “sonho” a 2.ª tranche do subsídio da COVID-19 em Nampula
O partido PODEMOS voltou a levantar dúvidas sobre o processo de pagamento da 2.ª tranche do subsídio da COVID-19, atribuído pela primeira vez em 2021. Segundo a formação política, continuam a chegar reclamações de famílias que, apesar de possuírem recibos de recebimento, nunca chegaram a receber o valor.
Numa visita de trabalho realizada nesta quarta-feira (08), uma delegação do PODEMOS, composta pelo deputado Dias Vasco Coutinho e pelo chefe da bancada provincial, Martins Eurico Noronha, foi recebida pela direcção do Instituto Nacional de Acção Social (INAS) em Nampula. O encontro visava obter esclarecimentos sobre os atrasos que, para o partido, transformaram o subsídio num “sonho adiado”.
Segundo o PODEMOS, o delegado provincial do INAS explicou que a retoma do pagamento dependerá de um parceiro ainda não identificado, que se manifestou disponível para assumir os custos. Garantiu, no entanto, que o processo continuará a ser baseado nas mesmas listas de 2021, que abrangiam 137.988 famílias, actualmente em fase de filtragem para evitar duplicações.
Deputados do PODEMOS durante a visita de cortesia à delegação provincial do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), em Nampula, para abordar a questão do pagamento da 2.ª tranche do subsídio da COVID-19.
Noronha revelou ter confrontado o INAS com denúncias de cidadãos que receberam apenas o recibo, mas não o dinheiro. O delegado respondeu que desconhecia tais casos e pediu provas para instaurar processos cautelares. “Ainda hoje, em Nampula, temos famílias que só têm o papel, mas nunca viram o dinheiro. Como bancada, iremos apresentar as evidências”, sublinhou o chefe da bancada provincial.
Outro ponto polémico está ligado às famílias cujos nomes não constavam nas listas originais. O INAS reiterou que estes grupos não serão abrangidos agora, por não terem concluído o processo de inscrição em 2021. Quanto aos beneficiários falecidos, apenas os familiares que apresentarem certidão de óbito terão direito a receber.
Devido à complexidade do caso, o INAS anunciou que os novos pagamentos serão feitos apenas por um mês e através de carteira móvel (M-Pesa), com a emissão de novos cartões. A medida visa reduzir fraudes e garantir maior controlo.
Apesar disso, o PODEMOS criticou o facto de, em 2021, muitos secretários de bairro terem feito inscrições selectivas, privilegiando cidadãos de determinadas cores partidárias e deixando de fora inúmeras famílias vulneráveis. “Para nós, devia ser feito um novo registo verdadeiro, porque muitas famílias foram salteadas”, acusou a bancada. Faizal Raimo