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Pessoas surdas em Nampula denunciam exclusão e exigem inclusão no emprego e na saúde

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Pessoas surdas em Nampula alertaram nesta segunda-feira (22) para a desigualdade de oportunidades no mercado de trabalho e para as barreiras no acesso aos serviços de saúde, reivindicando respeito, inclusão e igualdade de direitos.

Por ocasião do lançamento da Semana Internacional da Pessoa Surda e da Semana da Pessoa Idosa, a iniciativa ganhou força como acto de sensibilização social. Com rostos cheios de esperança, a marcha percorreu várias ruas da cidade, juntando também idosos e membros da comunidade que apelaram ao fim do estigma e à criação de condições dignas para todos.

Ribeiro Victor, jovem formado, relatou que apesar de concluir cursos profissionais e apresentar certificados em várias instituições, nunca foi contratado. “Quando descobrem que somos surdos não nos aceitam. Nos hospitais também sofremos: sem intérpretes, não recebemos diagnóstico correcto, apenas receitas erradas”, denunciou.

As mulheres surdas enfrentam barreiras adicionais. Alcina Valente, presidente da Associação das Mulheres Surdas de Nampula, alertou para a falta de informação vital. “Não temos acesso a conteúdos sobre saúde sexual e reprodutiva. Muitas engravidam sem conhecer os riscos. Também não há profissionais de saúde preparados para nos atender”, disse.

Na cerimónia, Gino Gaspar Neves, chefe do Departamento da Acção Social e representante da directora provincial de Género, Criança e Acção Social, reconheceu avanços, mas também limitações. “Estamos a lutar para que não haja estigma nas comunidades. Todos os dias divulgamos os direitos das pessoas com deficiência auditiva, mas ainda há muitos desafios”, admitiu.

O responsável destacou, sobretudo, as fragilidades na educação inclusiva. Embora existam algumas escolas com salas especiais e professores formados em língua de sinais, o número continua insuficiente. “Precisamos de formar mais técnicos e professores, porque muitas crianças ainda ficam sem acesso adequado”, explicou.

O mercado de trabalho continua a ser outro obstáculo. Neves lembrou que a Acção Social tem promovido formações de curta duração e distribuído kits de auto-emprego, mas o acesso ao emprego formal permanece limitado. “As pessoas surdas não ficam de fora. São cidadãos com direitos e deveres, mas é preciso que a comunidade aceite essa inclusão”, sublinhou. Assane Júnior

 

 

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