SOCIEDADE
Pais ainda não estão a matricular crianças em Nampula
Nampula quer matricular 350 mil crianças, mas só 51.747 (14,5%) já se inscreveram
A Direcção Provincial da Educação alerta para a fraca adesão às matrículas de primeiro ingresso, numa altura em que o processo já está em curso e as escolas estão abertas para receber os encarregados de educação para o ano lectivo de 2026.
Segundo o porta-voz da instituição, Faruk Carimo, a baixa procura nos primeiros dias é um fenómeno recorrente todos os anos, mas continua a preocupar o sector por aumentar o risco de congestionamentos e atrasos nas escolas.
“Neste momento, a afluência é muito fraca. As escolas estão abertas, os secretários estão prontos, mas os pais ainda não aparecem. Isso é preocupante, porque sabemos que, quando faltar uma semana para o fim das matrículas, todos vão correr ao mesmo tempo. É aí que surgem as filas intermináveis, os conflitos e a pressão sobre os gestores escolares”, explicou.
Até ao momento, Nampula registou 51.747 matrículas de crianças de primeiro ingresso, o que corresponde a apenas 14,5% da meta estabelecida, que prevê a inscrição de cerca de 350 mil alunos para a 1.ª classe.
“Falando de novos ingressos, estamos a 14,5% até à última actualização. De cerca de 350 mil alunos programados, temos matriculados 51.747. Esperamos atingir a meta até 31 de Dezembro”, detalhou o porta-voz.
Entre os factores que explicam a fraca adesão inicial, o sector aponta a desinformação, as constantes deslocações das famílias e a crença generalizada de que ainda há muito tempo para matricular.
“As pessoas acham que ainda há tempo, mas o tempo passa rápido. Estamos a trabalhar com os nossos parceiros de comunicação para sensibilizar. Queremos que os pais entendam que o processo é para o bem dos próprios filhos. Quem matricula cedo garante vaga perto de casa e evita transtornos”, sublinhou Faruk.
O responsável assegurou que todas as escolas já receberam orientações sobre critérios de selecção, prioridades e número de vagas disponíveis.
“Os directores conhecem as normas, sabem quantas vagas têm e como distribuir. O desafio não está na organização das escolas, mas sim no comportamento dos pais. Por isso apelamos: façam o processo agora, enquanto as escolas estão vazias. É rápido, é simples e evita transtornos”, apelou.
Apesar do arranque lento, a Direcção Provincial acredita que a província poderá atingir a meta de novos ingressos, mas sublinha que o sucesso depende do envolvimento de todos — pais, encarregados de educação e gestores escolares.
“Vamos todos colaborar. As escolas estão abertas agora, sem filas, com atendimento rápido. Se cada encarregado fizer a matrícula atempadamente, teremos Janeiro livre para organizar o ano lectivo, distribuir livros e preparar as salas”, concluiu. Vânia Jacinto