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O bolso do cidadão está sob pressão: a PROCONSUMERS recebeu 24 denúncias por práticas especulativas em Nampula

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A combinação entre a subida de preços e a escassez de combustíveis está a gerar um “efeito dominó” na província de Nampula, pressionando o boalso dos cidadãos. Em busca de alternativas desde maio, a população efetuou, 24 denúncias à Associação para Estudos e Defesa do Consumidor (PROCONSUMERS) relacionadas ao encarecimento dos produtos de primeira necessidade.
Segundo a organização, os denunciantes apontam o aumento “abusivo” de preços do ovo, açúcar, arroz, farinha de milho, óleo e transporte público.

O delegado da PROCONSUMERS em Nampula, Lobato Martinho, sublinhou que as áreas com mais denúncias são o transporte público de passageiros, o transporte de mercadorias e o comércio retalhista, este último relacionado aos preços de alimentos e materiais de construção (civil).

Lobato Martinho, Delegado da PROCONSUMERS em Nampula.

Embora reconheça o impacto dos altos custos de combustíveis nos preços dos produtos e serviços, Lobato alerta para o aproveitamento malicioso por parte de alguns agentes económicos.
“Os combustíveis afectam directamente o custo de vida, mas existem comerciantes que se têm aproveitado dessa situação para especular preços e justificam com o aumento do preço dos combustíveis só para obter lucros excessivos à custa dos consumidores, e isso configura uma prática especulativa”, disse Lobato.

Segundo ele, apesar de o governo ter anunciado medidas de fiscalização e combate à especulação de preços, especialmente no sector dos combustíveis, estas não se fazem sentir nos consumidores, o que leva a organização e a população a questionar a capacidade das autoridades de fiscalizar o comportamento do mercado.

Face a esta situação, aquele delegado partilhou que a verdadeira arma de combate às práticas especulativas é que os cidadãos conheçam os seus direitos e denunciem os casos de violação.

“Existem mecanismos legais e ações de fiscalização, mas persistem desafios na monitoria contínua dos mercados, sobretudo devido à dimensão do comércio informal e à rápida repercussão dos custos dos combustíveis nos preços dos bens e serviços. Por isso, a participação activa dos consumidores através de denúncias continua a ser fundamental”, concluiu.

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