OPINIÃO

O Balcão da Sobrevivência Onde o Mínimo é um Luxo

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Em cada esquina do nosso amado Moçambique, repete-se as mesmas coisas  como um ciclo vicioso de luzes de néon e portões de ferro. Atrás dos balcões das farmácias e das lojas de retalho, muitas vezes sob gestão de investidores indianos paquistaneses e estrangeiros no geral, desenrola-se uma tragédia silenciosa que o Ministério do Trabalho parece não querer ler ou mesmo saber.

É o drama do trabalhador moçambicano que vende e auxilia na saúde e bens, mas que não consegue comprar a sua própria dignidade ao fim do mês.

Com o custo de vida a galopar e o metical a lutar por fôlego, o salário mínimo tornou-se uma miragem para muitos. Nas “lojas dos indianos vulgo muenhes como popularmente se diz, o contracto é muitas vezes verbal sem garantia de ter as regalias de um trabalhador , e pela ironia das situações os empregadores não aceitam que nos ficamos doentes  e não temos preocupações eles olham a nos como um preto que não conhece a própria lei de trabalho e consideram a nos como seus robôs automatizados, as horas extraordinárias são uma cortesia forçada e o salário, quando chega, mal toca o tecto legal. É uma exploração que se veste de oportunidade.

Eles usam as alegações de falta de emprego e os benefícios que tem com o nosso governo favorecendo mais eles do que o seu próprio povo que vive na miséria, eles usam a expressão de intimidação caso queiras denunciar algo ou exigir o seu direito como trabalhador dizem eles ou aceitas isto, ou há dez lá fora à espera do teu lugar.

O que mais dói não é apenas a ganância de quem paga mal e demora com o salário é a ausência e cumplicidade das instituições que deveriam fiscalizar. Onde estão os inspectores do trabalho? Onde estão as delegações que deveriam garantir que uma licença de farmácia não é uma licença para a escravatura moderna? A percepção popular, justa ou injusta, é de que a fiscalização para à porta da loja, muitas vezes travada por um aperto de mão por baixo da mesa ou por uma influência que o cidadão comum não possui.

Questiona-se o modelo de desenvolvimento que permite que o lucro de um negócio de medicamentos bens essenciais seja construído sobre a anemia financeira de quem atende o público. O patrão prospera, amplia o armazém, mas o funcionário continua a vir com as mesmas roupas porque o salário não cobre as despesas básicas com os sapatos gastos sem um metical para levar ao costureiro por vezes usa se a massa preta (karacata) como uma cola, encasa ainda sobrevivendo de dividas que o salário não pode cobrir, mal consegue ter uma cesta básica apenas fica contando.

Os centavos para carvão ou comprar óleo do plastiquinho para o consumo e sobreviver de patas rabo, cabeças e joelho de galinha, este ciclo vai se repetindo a menos que as entidades responsável  esteja pronta para responder  com prontidão antes que o nossas ultimas gotas de sangue seja sugado

Moçambique não pode ser um terreno onde o investimento estrangeiro significa a suspensão dos direitos laborais e humanos. Se as instituições continuarem a olhar para o lado enquanto o salário mínimo é ignorado, estarão a assinar a certidão de óbito da justiça social. Porque uma economia que cresce à custa da fome de quem trabalha não é progresso é apenas uma nova forma de pilhagem.

 

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