POLÍTICA
“Não posso comentar se estou por fome ou não” – Ferreira nega crise no PODEMOS e garante lealdade a Forquilha
Alberto Ferreira, candidato a secretário-geral do PODEMOS, que obteve o maior número de votos no escrutínio de 25 de Maio, mas que não foi declarado vencedor por alegadamente não ter alcançado os 50% exigidos, rejeita qualquer ideia de desunião interna ou disputa motivada por interesses pessoais. A sua reacção surge em resposta a declarações do presidente do partido, Albino Forquilha, que terá associado os actuais conflitos internos a uma suposta “luta pela fome”.
Confrontado com essas palavras, Ferreira respondeu com prudência:
“Não sei, porque eu não vi a entrevista. Penso também que o presidente Forquilha dificilmente poderá dizer isso. Não sei em qual ambiente possa pronunciar-se.”
E, quanto à acusação de estar no partido por conveniência material, limitou-se a dizer:
“Eu não sei em qual momento o terá dito por fome, mas acho que nem posso comentar isto, porque não sei absolutamente em qual contexto. Não posso comentar se estou por fome ou não.”
Ferreira está em Nampula para o lançamento do Manifesto de Cidadão, na qualidade de vice-presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Inclusivo, uma missão que diz cumprir com o aval directo do próprio presidente do partido:
“Eu mesmo estou aqui sob orientação do presidente Forquilha e eu faço o que faço, estou sob orientação dele. Em nenhum momento posso contrariar o meu chefe directo. Quer dizer, o meu presidente não posso contrariar.”
No centro da tensão interna está uma providência cautelar submetida ao tribunal, cuja divulgação na imprensa apanhou os envolvidos de surpresa. Ferreira esclarece que a iniciativa teve como único objectivo clarificar dúvidas jurídicas, e não criar instabilidade:
“A providência cautelar normalmente tem o seu tempo. Ao submetê-la, estávamos só a tentar certificar se somos nós que temos razão ou se são os outros. Trata-se de uma entidade neutra, independente, juridicamente, que está dentro do quadro legal moçambicano, para dirimir e acabar com as dúvidas, pura e simplesmente.”
“Nós fizemos isto para que os jornalistas não soubessem. Eu não sei como isso depois escapou das mãos do próprio tribunal.”
O dirigente garantiu que o partido continua funcional e coeso:
“Todos nós estamos dentro do partido e acatamos as ordens do partido e do nosso presidente, naturalmente. Aqui não há nenhuma desavença externa. Estamos todos unidos, estamos todos na mesma linha, não há contradições.”
Sobre a necessidade de segunda volta nas eleições internas, Ferreira afirmou que a interpretação correcta dos estatutos aponta para a validade da maioria simples:
“O que se negou, as pessoas interpretaram mal. O que se negou foi a ideia de que se pudesse ir à segunda volta enquanto, com maioria simples, se podia ganhar.”
“O artigo 20 dos estatutos também diz que as eleições dentro do Podemos, as suas deliberações, são feitas com maioria simples. O artigo 20 é claro nisso. Mas não é para arranjarmos polémicas; é só para estarmos claros naquilo que estamos a fazer.”
Por fim, Ferreira sublinhou que, apesar de qualquer divergência, o partido está vinculado à legalidade e à hierarquia:
“Qualquer que seja a decisão, nós aceitamos. Temos que acatar. Porque, no partido, há uma hierarquia e todos temos de aceitar e caminhar juntos. O mais importante é caminhar juntos. Mas é importante também que prevaleça a lei. Isso é, naturalmente, muito importante.” Faizal Raimo