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“Não podemos descartar tentativa de assassinato”: analista político suspeita motivação política na invasão à casa do Arcebispo de Nampula

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O analista político Maurício Régulo considera “extremamente grave” a invasão à residência do Arcebispo Dom Inácio Saúre e levanta a hipótese de se tratar de uma tentativa de assassinato ou de intimidação com motivações políticas, ligadas às críticas contundentes que o prelado tem feito nas suas últimas homilias.

Falando em entrevista exclusiva ao Jornal Rigor, Régulo reagiu com preocupação ao episódio ocorrido na madrugada da última quinta-feira, 24 de Julho, quando, por volta das 4h25, um indivíduo trajando farda da Polícia da República de Moçambique (PRM) entrou na residência do arcebispo através de uma janela. As investigações confirmaram que o autor da intrusão pertence à corporação policial.

“Será que ele entrou para roubar? Temos de partir dessa premissa. Mas o que é que um agente da polícia iria roubar na casa de um clérigo? Qual era, de facto, a intenção?”, questiona o analista. “A não ser que houvesse outra missão, talvez tão secreta que ninguém sabe. É suspeito, especialmente num contexto em que o arcebispo fez duras críticas ao envolvimento dos Naparamas em Malema. São suspeitas minhas — não afirmo com certeza —, mas não devemos descartar essa possibilidade.”

Ao fundo, a residência do Arcebispo de Nampula. À sua frente, vendedores informais ocupam a área vedada, num cenário que se mantém sob o olhar impávido das autoridades.

Régulo recorda ainda outro episódio envolvendo o mesmo agente: a sua aparição com uma camisola política no dia da votação. Para o analista, trata-se de um acto grave que “representa uma mancha para o partido, que é uma instituição de grande responsabilidade e com compromissos que ultrapassam as fronteiras do país”.

O analista considera que episódios como este sugerem a existência de infiltrações perigosas nas fileiras das Forças de Defesa e Segurança. “Há indivíduos com comportamentos negativos que representam um risco real para o povo moçambicano. Eu vi o momento em que o agente foi interpelado sobre a camisola e ele respondeu com naturalidade. Isso mostra que talvez estivesse numa outra missão, e não apenas para roubo. E mais: se alguém consegue invadir, às 4 horas da manhã, uma casa bem gradeada como a do arcebispo, o que dizer da segurança dos cidadãos comuns? Quem está seguro neste país?”

Régulo também reagiu às alegações da PRM de que o agente sofre de perturbações mentais, rejeitando o argumento como “justificativa fraca e perigosa”. “A polícia não pode recorrer a esse tipo de discurso. Se ele tem problemas mentais, não pode continuar na corporação. Um doente mental com acesso a armas de fogo representa um risco imenso. Isso não é ciência. Isso é irresponsabilidade política.”

O analista termina com um alerta às instituições religiosas e a todos os que participam em debates públicos: “Isto é uma chamada de atenção. Um doente mental sair de casa para invadir o espaço bem protegido de um arcebispo? Não me convence. É um sinal claro de que pessoas que se expressam sobre temas sensíveis podem ser alvos. É preciso ter cautela, porque, a qualquer momento, pode surgir alguém contra esse tipo de debates e agir.” Isabel Abdala

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