ECONOMIA

Nampula ultrapassa limite aceitável de malária: em cada mil pessoas, 422 têm a doença

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As autoridades de saúde alertam para o elevado número de casos de malária em Nampula, onde a incidência actual atingiu 422 casos por cada mil habitantes, quase o dobro do limite recomendado pelo Plano Estratégico da Malária, que estabelece uma meta inferior a 216 casos por mil. Entre Janeiro e Outubro de 2025, a província registou 2.948.751 casos de malária, um aumento de 17% em relação aos 2.507.660 registados no mesmo período de 2024.

Segundo Samuel Carlos, chefe do Departamento de Saúde Pública na Serviço Provincial de Saúde, este cenário representa “um risco sério” para a população e exige o reforço imediato das acções de prevenção, incluindo o uso de redes mosquiteiras, eliminação de criadouros de mosquitos e maior procura pelos serviços de saúde ao primeiro sinal de febre. Embora os óbitos tenham diminuído de 109 para 87, a preocupação mantém-se devido ao aumento de malária severa, que passou de 21.210 casos em 2024 para 21.870 em 2025, uma evolução de 3,1%.

De acordo com o responsável, a maioria dos óbitos ocorre no distrito de Nampula e no Hospital Central, unidade quaternária que recebe os casos mais graves encaminhados pelos 23 distritos. “Quando os doentes chegam já em estado severo, muitas vezes pouco pode ser feito. Há atrasos na procura dos serviços ou dificuldade em reconhecer os sinais de alerta, somados às longas distâncias para chegar às unidades sanitárias”, explicou.

Para reverter o cenário, os Serviços Provinciais de Saúde estão a implementar um conjunto de intervenções, incluindo a Campanha de Cobertura Universal, que prevê a distribuição de 4 milhões de redes mosquiteiras impregnadas em 22 distritos, e a Quimioprofilaxia Sazonal, que deverá abranger 1,6 milhões de crianças. A província recebeu igualmente 450.506 doses da vacina R21, destinadas à imunização de 300 mil crianças dos 6 aos 11 meses nos 23 distritos. O lançamento oficial da vacina está agendado para 4 de Dezembro de 2025, marcando um avanço histórico na prevenção da malária.

Questionado sobre as razões do aumento de casos, apesar das múltiplas iniciativas, Samuel Carlos apontou para a desinformação, a resistência à mudança de comportamento e o uso incorrecto da medicação. “A prevenção é a chave. Não basta ter a rede, é preciso usá-la. Nas comunidades, há quem tome o medicamento apenas um dia, melhora e depois interrompe, voltando mais tarde com malária severa. Por isso reforçamos diariamente a educação sanitária nas unidades e nas farmácias”, sublinhou. José Luís

 

 

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