ECONOMIA
Nampula registou quase 2.000 bebés prematuros nos primeiros 9 meses
A esposa do Secretário de Estado da província de Nampula, Luzitisa Pereira, alertou, esta segunda-feira (17), para os números preocupantes de prematuridade e de mortalidade neonatal registados na província, sublinhando que grande parte das causas destas gravidezes de risco é evitável com mais informação, prevenção e coordenação multisectorial.
Falando por ocasião do Dia Internacional da Prematuridade, revelou que, nos primeiros meses de 2025, Nampula registou 1.981 bebés prematuros, dos quais cerca de 60 não resistiram, o que representa 13% de todas as mortes neonatais ocorridas no período em referência. Para a ela, estes dados impõem “reflexão urgente” e reforço dos cuidados pré-natais.
A oradora explicou que as principais causas da prematuridade continuam a estar associadas a factores totalmente preveníveis, como a falta de informação desde o início da gestação, uniões prematuras, gravidezes múltiplas resultantes da ausência de planeamento familiar, doenças crónicas não acompanhadas, consumo de álcool e a persistência da desnutrição crónica em várias comunidades.
Sublinhou ainda que muitas destas causas têm origem em factores socioeconómicos que exigem intervenções conjuntas para além do sector da saúde, destacando a escolaridade das raparigas como elemento decisivo. “A permanência das adolescentes na escola é fundamental para prevenir uniões prematuras e gravidezes de alto risco”, afirmou.
A esposa do Secretário de Estado apelou também à adesão aos programas de planeamento familiar, ao espaçamento adequado entre gravidezes e ao cumprimento integral das consultas pré-natais. Reforçou igualmente a importância do uso correcto de redes mosquiteiras para prevenir a malária na gravidez e a necessidade de abandonar hábitos que prejudicam a gestação, como o consumo de álcool e tabaco.
Ao abordar as consequências da prematuridade, explicou que os recém-nascidos prematuros enfrentam maiores riscos no desenvolvimento físico e cognitivo, apresentando maior probabilidade de infecções, problemas respiratórios, hipotermia e hipoglicemia, sobretudo quando não se beneficiam de cuidados imediatos e adequados.
A oradora recordou que o país está a implementar políticas e estratégias destinadas a melhorar os cuidados obstétricos e pré-natais, com enfoque na detecção precoce dos factores de risco e na promoção dos cuidados essenciais ao recém-nascido, com o objectivo de reduzir a mortalidade infantil e neonatal.
No encerramento da sua intervenção, apelou ao envolvimento activo das famílias, dos profissionais de saúde e da sociedade em geral. “Cada bebé que sobrevive é uma vitória profunda que nos deve encorajar a continuar a fazer o nosso melhor. Garantir cuidados saudáveis aos prematuros é responsabilidade de todos”, concluiu. Redacção