ECONOMIA

Nampula regista aumento de doenças tropicais negligenciadas, alerta DPS

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A Direcção Provincial de Saúde (DPS) de Nampula alertou para o aumento de casos de doenças tropicais negligenciadas na província, com destaque para a filaríase linfática e o ressurgimento da lepra, num contexto marcado por fracos indicadores de saneamento e acesso limitado à água potável.

Falando à imprensa no âmbito do Dia Mundial de Luta contra as Doenças Tropicais Negligenciadas, assinalado a 30 de Janeiro, o chefe do Departamento de Saúde Pública da DPS Nampula, Júnior Miguel, explicou que a província continua entre as mais afectadas do país, devido a factores estruturais associados à pobreza, saneamento deficiente e abastecimento irregular de água.

Segundo os dados apresentados, em 2025 a província registou cerca de 2.554 casos de filaríase linfática, contra 1.921 em 2024, representando um aumento de aproximadamente 20%. Já a lepra contabilizou 1.329 casos, contra 1.297 no ano anterior, reflectindo um ligeiro crescimento.

O responsável explicou que a filaríase, transmitida por mosquitos, pode provocar deformações graves, como o aumento excessivo dos membros inferiores e casos de hidrocelo, enquanto a lepra, uma doença que se pensava estar praticamente eliminada, voltou a ser diagnosticada em vários distritos da província.

Apesar do aumento destas doenças, a DPS anunciou reduções significativas noutros indicadores. A esquistossomose desceu de 59.944 casos em 2024 para 38.900 em 2025, uma redução de cerca de 34%, enquanto a sarna caiu de 48.866 para 34.811 casos, representando uma redução aproximada de 40%.

Entre os distritos que mais se destacam pela negativa figuram Nampula, Moma, Meconta e Muecate, com registos elevados em várias doenças tropicais negligenciadas, segundo as autoridades de saúde.

Júnior Miguel sublinhou que a estratégia provincial inclui campanhas de quimioprevenção, distribuição massiva de medicamentos, controlo vectorial através da entrega de redes mosquiteiras e acções de melhoria do saneamento do meio.

O responsável defendeu ainda uma abordagem multissectorial, envolvendo outros sectores do Estado, autoridades locais, sociedade civil e parceiros de cooperação, para atacar as causas estruturais da transmissão destas doenças.

“O sector da saúde faz o diagnóstico e o tratamento, mas o saneamento, o acesso à água potável, a habitação, a pecuária e a higiene ambiental não dependem apenas da saúde. É fundamental o envolvimento de todos para alcançarmos a meta de eliminação destas doenças até 2030”, afirmou. Faizal Raimo

 

 

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