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Nampula aposta em sistemas de alerta para travar perdas nos sistemas de abastecimento de água

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Depois de anos de perdas provocadas por ciclones e chuvas intensas, Nampula aposta numa nova abordagem para enfrentar fenómenos extremos: recorrer à tecnologia de aviso prévio e à comunicação integrada para reduzir os impactos climáticos e garantir o abastecimento contínuo de água às populações.

A iniciativa surge no quadro dos esforços do Governo provincial para reforçar a resiliência das infraestruturas de abastecimento de água, muitas das quais foram severamente danificadas pelos ciclones Jude, Chido e Dikeled, que destruíram represas, arrastaram depósitos elevados e danificaram painéis solares em distritos como Ribàuè, Ilha de Moçambique, Mossuril e Meconta. O novo sistema permitirá detetar riscos em tempo real, promover respostas coordenadas entre as instituições e travar perdas antes que se transformem em crises humanitárias.

Segundo o director provincial das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fáquira Massalo, a Plataforma Integrada de Aviso Prévio constitui um instrumento essencial de gestão preventiva, que permitirá monitorar fenómenos meteorológicos e hidrológicos e emitir alertas automáticos às entidades responsáveis pelos sistemas de abastecimento e saneamento. “Estes episódios mostram que os impactos dos desastres são maiores quando faltam mecanismos de previsão e resposta coordenada. Por isso, a plataforma integrada de aviso prévio é um instrumento essencial para proteger as infraestruturas e garantir água às populações”, afirmou.

Nos últimos anos, Nampula tem estado entre as províncias mais afetadas por fenómenos climáticos extremos, que desafiam a resistência das infraestruturas e exigem maior preparação técnica. Em Ribàuè, as chuvas torrenciais destruíram a represa de captação e as tubagens principais, interrompendo o fornecimento à vila. Na Ilha de Moçambique, o transbordo do rio Monapo inundou o campo de furos de Entete, deixando a população quase dois meses sem água potável. Já em Mossuril, os ventos extremos arrastaram depósitos elevados e afetaram a rede elétrica, enquanto em Meconta as rajadas danificaram painéis solares e estruturas de suporte, comprometendo o funcionamento de pequenos sistemas rurais.

Face a este cenário, o Governo de Moçambique, em parceria com o Reino Unido, através do FCDO, e com o apoio técnico da SNV, assinou um acordo de financiamento no âmbito do Programa Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento Rural (PRONASAR). O objetivo é melhorar a cobertura e a fiabilidade dos serviços de água, saneamento e higiene, ao mesmo tempo que se modernizam os mecanismos de previsão, alerta e resposta a fenómenos climáticos.

De acordo com Massalo, o sistema irá reforçar a comunicação e a partilha de informação entre a Direção Provincial das Obras Públicas, os Serviços Distritais de Planeamento e Infraestruturas, o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) e outras entidades envolvidas na gestão de recursos hídricos. “Mais do que tecnologia, esta plataforma simboliza uma nova abordagem: antecipar em vez de reagir, cooperar em vez de atuar isoladamente. O seu sucesso dependerá do empenho dos gestores, da interpretação correta dos alertas e da ação rápida para proteger as infraestruturas e garantir o fornecimento contínuo de água às populações”, destacou o engenheiro.

O dirigente acrescentou que a introdução da plataforma vai reduzir significativamente o tempo de resposta entre o registo de um fenómeno meteorológico e a intervenção técnica no terreno, evitando que danos localizados se transformem em colapsos generalizados. “Se as equipas receberem o alerta de forma imediata, poderão desligar equipamentos, proteger as represas, isolar circuitos elétricos e salvaguardar materiais, reduzindo prejuízos e interrupções prolongadas”, explicou.

Massalo considerou a introdução da plataforma um exercício de responsabilidade partilhada, que reforça a coordenação institucional e a consciência de que a resiliência constrói-se com conhecimento, coordenação e compromisso. “Que esta ferramenta marque uma viragem na forma como enfrentamos os desafios climáticos, transformando as lições deixadas pelos ciclones Jude, Chido e Dikeled em oportunidades para fortalecer as nossas infraestruturas e proteger as comunidades”, concluiu. Assane Júnior

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