ECONOMIA
Mulheres produtoras agrícolas em Nampula vão beneficiar de apoio da DPAP
A Direcção Provincial de Agricultura e Pescas (DPAP) de Nampula pretende reforçar o apoio às mulheres produtoras, com vista a incentivar a sua participação activa nos processos produtivos e na geração de rendimento familiar.
A informação foi avançada pelo director provincial, Manuel Chicamisse, que defende que a liderança feminina vai além de cargos formais, abrangendo também o papel da mulher na organização da família e na contribuição económica do agregado.
Segundo o dirigente, o objectivo é fazer com que as mulheres deixem de produzir apenas para o consumo doméstico e passem a encarar a agricultura como fonte efectiva de rendimento, apostando na comercialização de hortícolas, frango e ovos.
“Temos de entender que a liderança da mulher não significa apenas ocupar cargos de chefia. Falamos também de mulheres que organizam a família e contribuem monetária ou materialmente para o sustento do lar”, explicou Chicamisse, sublinhando que o programa abrange mulheres casadas, divorciadas, viúvas e jovens.
Para a segunda época agrícola, a estratégia passa pela expansão da produção em zonas baixas e quintais, com destaque para culturas como tomate, cebola e repolho. A iniciativa inclui fornecimento de insumos, equipamentos básicos e assistência técnica.
O responsável indicou que grupos de mulheres poderão explorar áreas entre um quarto de hectare e um hectare, com potencial de produzir entre 10 e 16 toneladas de tomate, além de outras hortícolas, garantindo simultaneamente segurança alimentar e excedentes para venda.
O programa contempla igualmente o incentivo à avicultura — tanto de frangos de corte como de galinhas locais — e abre espaço para a piscicultura como nova frente de rendimento.
Numa primeira fase, as acções vão arrancar na zona verde da cidade de Nampula e no distrito de Rapale, áreas consideradas estratégicas para produção massiva e fácil monitoria, com vista ao abastecimento de mercados grossistas e retalhistas, incluindo o Waresta e supermercados.
Chicamisse defende que a organização em associações e cooperativas é fundamental para assegurar sustentabilidade produtiva e melhor acesso ao mercado, desencorajando iniciativas isoladas.
O dirigente advertiu, contudo, que o apoio inicial deve ser acompanhado de responsabilidade por parte das beneficiárias, defendendo o reinvestimento de parte dos lucros para manter o ciclo produtivo.
Segundo explicou, pelo menos 25% a 30% das receitas obtidas devem ser reinvestidas na produção, evitando a dependência contínua de apoios gratuitos. “A pessoa apoiada deve entrar num ciclo de produção, venda e nova produção com o dinheiro que ganhou”, concluiu. Assane Júnior