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Mulheres de partidos políticos preocupadas com violência doméstica em Nampula
Mulheres de diferentes partidos políticos, nomeadamente FRELIMO, PODEMOS e ANAMOLA, manifestaram preocupação com a persistência de casos de violência doméstica na província de Nampula, no âmbito das celebrações do Dia da Mulher Moçambicana, assinalado a 7 de Abril.
As declarações surgem numa altura em que, apesar de sinais de redução dos casos de violência baseada no género, muitas mulheres continuam a viver situações de abuso nas comunidades.
De forma unânime, as dirigentes reconheceram que a violência doméstica continua a ser um problema grave, afectando mulheres em diferentes contextos sociais.
Amida Firmino, secretária da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), braço feminino da FRELIMO na província de Nampula, afirmou que os casos de violência baseada no género continuam frequentes.
“A questão da violência baseada no género é que, muitas das vezes, temos visto quase todos os dias casos de violação. Esta é uma preocupação de todas as comunidades, porque acontece em todo o país. Pedimos que a mulher seja tratada com dignidade. A mulher tem voz, a mulher é forte, e apelamos ao fim da violência”, disse Amida Firmino.
Firmino apelou ainda para que a data seja celebrada com harmonia, evitando comportamentos que possam colocar em risco a integridade da mulher.
Por sua vez, Rosa Hilário, secretária provincial da organização da mulher no partido PODEMOS, destacou que as mulheres enfrentam múltiplas formas de violência, desde agressões físicas até abusos sexuais, defendendo maior intervenção do Governo.
“Estamos a enfrentar violências sexuais, violência doméstica e agressões físicas. Como mulheres, devemos saber estar e desempenhar o nosso papel na sociedade. A mulher é educadora e tem um papel fundamental na construção da família e da nação”, afirmou.
Hilário sublinhou ainda a necessidade de maior acompanhamento dos filhos, defendendo que as mães devem estar atentas ao comportamento das crianças, incluindo o uso de telemóveis.
Já Ana da Beatriz Zecas, responsável da Associação das Mulheres do ANAMOLA (AMA), apontou a falta de acesso à educação nas zonas rurais como um dos principais desafios.
“Estamos preocupadas com as mulheres das zonas rurais que ainda não têm acesso à educação. É preciso tirar a mulher da escuridão e garantir a sua inclusão. Nem todas têm oportunidades, mas continuamos a lutar para dar voz às que foram silenciadas”, afirmou.
A responsável defendeu igualmente a necessidade de igualdade de oportunidades e maior inclusão social das mulheres.
Na ocasião, Zecas lamentou ainda os episódios registados recentemente em Anchilo, onde mulheres protestaram devido à demora na distribuição de capulanas, resultando em feridos.
“É lamentável o que aconteceu com as mães que foram humilhadas por causa das capulanas. Não era necessário o uso de gás lacrimogéneo. As mães mereciam respeito, sobretudo quando houve promessas que não foram cumpridas”, disse.
Apesar das preocupações, as mulheres deixaram mensagens de encorajamento, apelando à união, força e continuidade da luta pelos direitos das mulheres.