ECONOMIA
Menos de 10% das moageiras fortificam a farinha de milho em Nampula
Num universo de mais de 900 unidades moageiras a operar na província de Nampula, apenas 59 efectuam actualmente a fortificação da farinha de milho — um alimento básico da dieta moçambicana. A situação é considerada preocupante, tendo em conta os elevados índices de desnutrição crónica que ainda afectam a população, sobretudo crianças e mulheres em idade fértil.
A informação foi avançada pelo director provincial da Indústria e Comércio, Jeremias Muapaz, durante uma formação técnica destinada aos operadores dos sectores moageiro e salineiro, promovida pela Direcção Provincial. O evento tem como objectivo capacitar os industriais sobre a obrigatoriedade de enriquecer os seus produtos com micronutrientes essenciais como ferro, zinco e potássio.
“Se continuarmos a produzir e consumir alimentos não fortificados, estaremos a alimentar a desnutrição e a comprometer o futuro cognitivo da nossa população”, alertou Muapaz.
Entre os desafios identificados para a baixa adesão à fortificação estão a falta de conhecimento técnico, ausência de formação e dificuldades logísticas para aquisição de aditivos como o premix. Em resposta, o governo, com apoio da organização Green e do Comité Nacional de Fortificação de Alimentos, está a implementar acções de mapeamento, capacitação e monitoria em toda a província.
“Estamos a levantar 48 indústrias moageiras prioritárias. Muitos dos operadores estão aqui presentes. O objectivo é dotar todos os intervenientes destes sectores dos conhecimentos necessários, hoje e amanhã”, reforçou o director.
Embora não tenha falado abertamente em punições, Muapaz deixou claro que haverá fiscalização activa e que as unidades que não implementarem as medidas poderão ser alvo de acções correctivas.
“Não basta só treinar. É preciso fazer o seguimento e monitorar se estão a aplicar o que aprenderam. Sem isso, não há fiscalização efectiva.”
O responsável alertou ainda para as consequências da não fortificação: perda da capacidade cognitiva, dificuldade de aprendizagem nas crianças e prevalência de doenças como o bócio.
O sal de cozinha também está incluído no esforço de fortificação, por ser um produto de uso diário que, frequentemente, chega ao consumidor final sem os nutrientes necessários à saúde.
A formação, com duração de dois dias, insere-se na estratégia nacional de combate à desnutrição crónica, que visa melhorar a qualidade nutricional dos alimentos produzidos e consumidos em Moçambique. Vânia Jacinto