ECONOMIA

Médicos do HCN suspendem protesto após promessa de pagamento de horas extras

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Os médicos do Hospital Central de Nampula (HCN) decidiram suspender o protesto que vinha sendo preparado há várias semanas, depois de o Governo ter prometido resolver as dívidas das horas extraordinárias no prazo máximo de 15 dias.

A decisão surgiu após uma reunião de emergência convocada pelo Secretário de Estado da Província de Nampula, Plácido Pereira, que se deslocou à unidade hospitalar neste sábado (1), depois de assistir ao vídeo em que o director do hospital, Cachimo Molina, aparecia a humilhar jornalistas que tentavam obter esclarecimentos sobre o conflito laboral.

A crise começou no início de Outubro, quando cerca de 50 médicos, maioritariamente residentes deslocados de outros distritos, anunciaram a intenção de paralisar os serviços caso o pagamento das horas extras não fosse regularizado. O documento que formalizava a paralisação chegou a circular nas redes sociais, intensificando a pressão pública sobre a direcção do hospital.

Durante o encontro mediado pelo Secretário de Estado, Cachimo Molina reconheceu que o atraso se devia a falhas administrativas, sobretudo nos casos de médicos que recebiam remuneração nos distritos de origem e, simultaneamente, prestavam serviço no HCN.

“Há situações que precisavam de ser ajustadas. Médicos que vêm de outros distritos e não pertencem à orgânica do hospital têm enfrentado dificuldades nos pagamentos. Esse trabalho será feito em coordenação com as Finanças”, explicou.

O director garantiu ainda que as equipas financeiras do hospital e das Finanças estão a trabalhar num mecanismo conjunto de validação das folhas salariais, para assegurar que os valores em atraso sejam pagos “de forma justa e transparente”.

Apesar do tom conciliador, Molina apelou aos profissionais de saúde para manterem a calma e a confiança no Executivo.

“Pedimos um voto de confiança ao Governo. O compromisso é claro: dentro de quinze dias queremos que esta questão esteja resolvida, para que todos continuem focados no seu trabalho”, afirmou.

Mesmo assim, o ambiente interno no HCN permanece marcado por tensão e desconfiança, após a divulgação do vídeo em que o director surge a confrontar de forma agressiva jornalistas locais. O episódio foi amplamente criticado nas redes sociais e relançou o debate sobre o respeito pela imprensa e o diálogo institucional.

“Queremos um hospital funcional, com médicos motivados e com salários dignos. O Governo está ciente das dificuldades e não permitirá que esta crise afecte os serviços à população”, assegurou o director do hospital, num tom mais calmo do que o que apresentou aos jornalistas no vídeo colocado a circular na imprensa em Nampula. Faizal Raimo

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