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Mais de quatro mil quilómetros de estradas vulneráveis em Nampula
A Direcção Provincial de Obras Públicas de Nampula alertou que mais de quatro mil quilómetros da rede rodoviária provincial encontram-se em situação de alta vulnerabilidade, comprometendo a circulação de pessoas, o escoamento de produtos agrícolas e o acesso a serviços essenciais.
De acordo com o director provincial, Faquira Paulino Araújo Massalo, a actual condição das estradas resulta de uma combinação entre insuficiência de recursos financeiros, impactos climáticos recorrentes e o envelhecimento das infra-estruturas.
“A província possui cerca de 6.300 quilómetros de estradas. Apenas 900 quilómetros estão asfaltados e em condições aceitáveis”, destacou.
Massalo explicou que grande parte dos troços rurais foi severamente afectada pelos ciclones dos últimos anos e permanece sem reabilitação, visto que não houve disponibilização efectiva de fundos para o exercício de 2025.
Director provincial, Faquira Paulino Araújo Massalo.
“A principal limitação continua a ser a fraca disponibilização de fundos de emergência para 2025, o que impede a execução de intervenções estruturantes nas vias mais críticas.”
Segundo o responsável, estes constrangimentos financeiros mantêm acumulados danos que afectam a transitabilidade, sobretudo nas vias que ligam zonas agrícolas aos principais centros urbanos.
O director revelou que, embora o Fundo de Estradas tenha aprovado um orçamento de emergência para 2025–2026, destinado à reabilitação de pontes e troços críticos, nenhum montante foi ainda disponibilizado para o presente exercício, limitando a intervenção a pequenas manutenções rotineiras.
Com a aproximação da época chuvosa, aumentam os receios de cortes de vias, principalmente nos distritos de Lalaua, Larde, Muecate, Liúpo e Mogincual, onde desvios temporários podem ser facilmente destruídos mesmo por chuvas moderadas.
“Existem desvios improvisados que bastam poucas chuvas para serem levados pela corrente. Se isso acontecer, alguns distritos poderão voltar a ficar isolados.”
Massalo defendeu maior descentralização e acesso directo a fundos de emergência, como forma de permitir uma resposta mais rápida e eficaz a danos causados por eventos climáticos extremos.
Apesar das restrições orçamentais, a Direcção Provincial de Obras Públicas continuará a articular com a Administração Nacional de Estradas (ANE) e com as administrações distritais, para garantir condições mínimas de circulação ao longo da época chuvosa.
“O mais importante é assegurar que nenhuma comunidade fique isolada dos seus locais de produção e dos serviços básicos que sustentam a sua vida diária”, enfatizou. Faizla Raimo