POLÍTICA

Líderes comunitários de Chalaua ameaçados por grupos ligados ao garimpo ilegal

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Líderes comunitários do posto administrativo de Chalaua, no distrito de Moma, denunciaram esta quarta-feira ao governador de Nampula, Eduardo Abdula, a existência de ameaças, insegurança e exploração ilegal de recursos minerais, afirmando que grupos de garimpeiros e intermediários ligados ao garimpo desordenado têm intimidado e colocado em risco a segurança da população local.

As denúncias foram feitas durante uma reunião comunitária realizada no quadro da visita de trabalho do governador à região, que tem registado crescimento do garimpo artesanal e ocupação irregular de terras.

Alberto Francisco, um dos líderes locais, alertou para a ausência de presença policial e a sensação de abandono das comunidades.

“Aqui em Chalaua há muita insegurança. Somos ameaçados por pessoas que exploram os minérios de forma ilegal. Pedimos que aumentem o efectivo policial para nos proteger. Aqui estamos mal”, afirmou.

Já Casilda Francisco Sicome relatou casos de intimidação directa contra líderes que tentam denunciar o garimpo desordenado ou cooperar com as autoridades.

“Vivemos com medo. Quando falamos contra a exploração ilegal, vêm às nossas casas à noite, ameaçam-nos e roubam os nossos bens. Já não dormimos tranquilos”, contou.

Marcelino José Damasso denunciou ainda a ausência de consultas comunitárias nos processos de concessão de áreas mineiras, o que tem resultado na destruição de machambas e na perda de meios de subsistência.

“As empresas e garimpeiros entram sem avisar, ocupam as nossas machambas e ninguém nos consulta. Estamos a pedir ao Governo que explique como é que ficamos nós, que vivemos da terra”, disse.

Em resposta, o governador Eduardo Abdula reconheceu a gravidade das denúncias e prometeu reforçar a presença policial em Chalaua e investigar os casos de garimpo ilegal.

“Há gente agitadora aqui, por causa dos seus negócios pessoais. Precisamos de muita vigilância. Vamos mandar o Comandante Provincial da Polícia para trabalhar directamente convosco no terreno”, anunciou.

O governador foi mais longe, acusando empresas e operadores ilegais de contribuírem para a exploração desordenada dos recursos minerais sem benefícios para as comunidades.

“Há muita exploração de minérios em Mavuco e Chalaua, mas o povo não vê desenvolvimento. Vamos exigir o cumprimento da lei, rever licenças e proibir actividades sem consultas comunitárias. Não vamos aceitar abusos”, garantiu.

Abdula apelou ainda à colaboração entre líderes comunitários, empresários e forças locais, reforçando que o Governo vai intensificar a fiscalização e controlar a circulação de pessoas e equipamentos ligados ao garimpo.

“Devemos saber quem vem, quando entra e o que faz aqui. Vamos reforçar a presença da polícia e eu, pessoalmente, vou deslocar-me ao Mavuco para acompanhar a situação”, concluiu. Vânia Jacinto

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