OPINIÃO
Libertar-se do ódio que cresce no coração
Do provérbio que diz “o feiticeiro tomou do próprio feitiço”, iniciamos esta reflexão como uma exortação: aprendamos a nos libertar do ódio que vai crescendo no nosso coração. Não aceitemos que o ódio corroa a nós ou atinja os outros.
Certa vez, em um passeio que poderia ser de lazer nas ruas de uma linda cidade, fiquei surpreso com o tamanho do ódio que o ser humano pode carregar na sua vida ou no seu coração.
Enquanto o passeio acontecia, precisei visitar um mercado popular para apreciar os produtos locais. No entanto, na entrada, deparei-me com uma confusão entre um vendedor e um cliente que alegadamente estava a pedir desconto na compra de um pano artesanal.
Um simples pedido de desconto, o vendedor descarregou a metade do ódio que tinha porque desde cedo não vendia nada e acima de tudo os clientes o pediam para dar desconto.
Na minha compreensão, não precisava de manifestar o seu ódio porque poderia somente se recusar de reduzir o preço.
Por um lado entendi que o vendedor tinha ódio de alguma coisa, mas não sabia como administrar isso. Por outro lado, o cliente não soube como dialogar com o vendedor pensando que tinha o direito de se beneficiar de um desconto.
Quer um quer o outro, ninguém estava errado. O que deve ter acontecido é que o choque da realidade os levou a essa confusão. Ninguém parou, respirou fundo para entender o outro.
Em se tratando de uma ação que em ambientes de mercado popular é diversão, a falta de comunicação dos dois criou em pouco tempo, aperitivo para o público.
Nenhuma pessoa estava interessada em escutar e acalmar os dois. A cena, o teatro, servia de tempero para muitos. Porém, para os dois envolvidos na confusão, tiveram seu dia desagradável. Arruinaram a jornada daquele dia por bobagem.
A pergunta que podemos efetuar no início de casa dia é: aos que irei encontrar hoje, quero manifestar o amor ou o ódio? Se for o ódio, o que ganharei com isso? Será que minha alma se sustenta do ódio?
Dependendo da resposta, escolha o amor porque no final do dia terá um bom retorno. A sua jornada será agradável, não obstante aos desafios que irá enfrentar e às pessoas difíceis que poderá encará-las.
Não se envolva numa confusão que não saberá como administrar. Saiba fugir de mal com categoria e maestria.
Porque cada pessoa tem sua história e sua experiência, também a única pessoa que sabe se carrega o amor ou o ódio no coração é a própria pessoa.
Portanto, não abra o baú do seu coração só para tirar os espinhos. Abra o baú do seu coração para exalar o perfume do amor que lá se encontra.
Abra o baú do seu coração para manifestar neste mundo somente o amor.
Quanto ao ódio que pode estar a crescer no nosso coração, vamos partilhar um caminho que levará à leveza ou libertação total do mal.
- Identificar as fontes que provocam em nós o ódio: pessoas próximas (esposo ou esposa, namorado ou namorada, pais ou filhos, colegas ou amigos), nosso emprego ou trabalho, nosso estilo de vida, nossa rotina e diversas ocasiões ou mesmo vícios. Para que tudo aquilo que preenche nosso quotidiano não se transforme em causa do ódio.
- Transformar tudo que rouba nossas energias numa escola de superação. Isto é, se percebermos que nossa relação ou convivência com alguém gera brigas, temos que aprender a lidar com essa pessoa, selecionando palavras certas na hora de conversa, entendendo quando é que aquela pessoa está com bom ou mau humor.
- Encarar o mal sem tabus. O mal deve ser dito e enfrentado sem enrolação nem vergonha. Para resolvermos um mal, precisamos de coragem e seriedade. Cada caso com sua própria arma para não mexermos a víbora com uma vara curta.
- Investir na maturidade maturidade emocional: a capacidade de saber o que sentimos: alegria, tristeza, medo, raiva, aborrecimento para sabermos direcionar sem nos ferir nem ferir os outros.
- Purificar a culpa que carregamos no consciente ou inconsciente. Pode acontecer que ao longo do tempos nos sintamos culpados ou absorvemos a culpa que não nos pertence ou aquela que resultam de um mal cometido por nós. Por isso, assumamos a culpa daquilo que fizemos e nos perdoemos. Saibamos perdoar se alguém nos machucou.
- Acolher o espírito de leveza emocional: quando nos sentimos mais leves por termos conseguido superar algum mal. Porém, não se deve recuar ao passado para remoer o mal. Todavia, podemos olhar o passado para nos ajudar a não cometermos mais algum erro.
- Respirar o ar da paz interior: momento em que já não precisamos de sermos portadores do ódio, mas já somos livres, mas não temos que ser egoístas. Temos que partilhar com os outros através de boas ações, principalmente, o perdão e reconciliação.
Conforme acompanhamos o caminho que propusemos, não é por meio de uma simples simulação hipócrita de que estamos bem conosco mesmo ou com os outros. Temos que lidar com tudo de forma aberta e com maturidade emocional.
Não aceitemos que sejamos portadores ou destiladores de ódio. Busquemos, no entanto, ser portadores do amor e tratemos ou vivamos com os outros repletos de amor.
Que nosso perfume seja o amor porque só isso nos fará melhor.
“Curador das almas”
Pe. Kwiriwi, CP.