CULTURA

Kulungwana quer maior presença de Nampula no concurso Mozal Artes e Cultura

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Em resposta às críticas recorrentes de que apenas artistas da capital vencem o concurso, os organizadores decidiram reforçar a divulgação nas províncias, com destaque para Nampula, onde realizaram esta semana uma sessão informativa com artistas locais.

A iniciativa partiu da Kulungwana – Associação para o Desenvolvimento Cultural, organizadora do Prémio Mozal Artes e Cultura, que tem vindo a ouvir, ano após ano, que os concursos nacionais valorizam apenas criadores de Maputo. No entanto, os números revelam outro cenário: há pouca ou nenhuma participação de artistas de outras províncias, especialmente do Norte do país.

A quinta edição do concurso, um dos mais prestigiados do país, oferece prémios de 120 mil meticais em cada uma das sete categorias — artes visuais, fotografia, cinema, dança, teatro, design de moda e música — e visa destacar jovens artistas moçambicanos com idades entre 21 e 40 anos.

Com inscrições abertas até 30 de Junho, a organização decidiu realizar sessões de sensibilização em regiões com menor adesão, como forma de esclarecer o processo de candidatura e motivar talentos locais a concorrerem.

“Muitas vezes ouvimos críticas de que apenas os artistas de Maputo vencem os concursos, mas a verdade é que não recebemos candidaturas das outras províncias”, afirmou Sara Machado, gestora dos Prémios Mozal. “Em Nampula, por exemplo, recebemos algumas propostas nas artes visuais, mas ainda nenhuma nas áreas de moda, teatro e outras restantes.”

Machado reforça que o concurso não se limita à atribuição de prémios em dinheiro, mas tem também uma forte componente formativa e profissionalizante. “Quem aprende a preencher uma ficha de candidatura com rigor, ganha uma ferramenta importante para elaborar projectos e submeter propostas a patrocinadores ou instituições culturais no futuro”, explicou.

Em Nampula, uma das candidaturas confirmadas é da Banda Marrove, que concorre na categoria de música. Representado pelo baterista e coreógrafo Sucesso Maxuca, o grupo manifesta confiança na sua proposta e elogia a oportunidade.

“Esperamos vencer, porque fazemos um trabalho sério, com conteúdos que acrescentam valor à sociedade”, afirmou o músico, que defende uma divulgação mais ampla e formatos de candidatura mais inclusivos.

“Deveria haver opção em papel para os artistas que vivem em zonas com pouca conectividade ou sem domínio das tecnologias. Há muito talento nos distritos e localidades que não pode ser ignorado.”

A equipa da Kulungwana garante que continuará a campanha de mobilização até ao fim do prazo das inscrições, reafirmando que a descentralização é uma prioridade. No entanto, destacam que a inclusão só será efectiva com o envolvimento activo das comunidades artísticas locais. Daniela Caetano

 

 

 

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