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Jovens de Nampula pedem mais formação, emprego e inclusão nas políticas públicas

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O Dia Internacional da Juventude, assinalado a 12 de Agosto, foi ocasião para jovens de vários distritos de Nampula partilharem preocupações e propostas para um futuro mais inclusivo. Embora reconheçam avanços, como programas de financiamento a iniciativas juvenis, apontam que a falta de formação, emprego e oportunidades iguais continua a travar o desenvolvimento pessoal e profissional de milhares de jovens.

Entre os principais problemas citados estão a exclusão social e económica, o difícil acesso ao ensino superior e a ausência de políticas habitacionais adaptadas à realidade da juventude. Defendem que o Governo deve ir além dos anúncios e criar condições reais para capacitar jovens, apoiar negócios sustentáveis e investir em bolsas de estudo e programas para os mais vulneráveis.

Os participantes criticam também a falta de participação efectiva da juventude na formulação de políticas públicas, defendendo a necessidade de diálogo directo para garantir representatividade e empoderamento. Para eles, investir na juventude é igualmente fortalecer a paz e a coesão social, criando oportunidades e combatendo a exclusão como pilares de um desenvolvimento estável para Moçambique.

“O Governo deve apoiar jovens vulneráveis para que se formem” — Virgínia José Martins, Cidade de Nampula

“Muitos jovens choram para ter emprego, mas não podemos pedir algo para o qual não temos habilidades. Primeiro, é preciso saber o que se quer fazer e procurar formação. A gente tem que se formar, mas também ter alguma inteligência e um mínimo de ideia do que quer fazer. Há jovens de famílias pobres que não têm como pagar a formação. O Governo deveria apoiar esses jovens mais vulneráveis, que não têm as máximas condições para estudar, para que possam fazer alguma coisa e realizar-se.”

“Precisamos de formação para que os projectos juvenis sejam sustentáveis” — Viste Manuel Assne, Mecubúri

“Hoje, por conta da Conferência Nacional em Maputo, não pude celebrar o Dia da Juventude no meu distrito e participei das cerimónias provinciais. O maior desafio que enfrentamos é o desemprego. O Governo já lançou o projecto FDEL para financiar iniciativas juvenis, mas é preciso que, além do apoio, se invista na formação em gestão de projectos. Assim, garantimos que as pequenas e médias empresas criadas pelos jovens sejam sustentáveis.”

“Queremos empregos e bolsas para garantir o futuro da juventude” — Piedade da Lúcia Abdul, cidade de Nampula

“No mundo do vício, drogas, prostituição, para não nos desviarmos, a ideia dos jovens é sermos humildes e o futuro do amanhã. Esperamos que o Governo crie mais empregos, mais bolsas de estudo e melhores formas de nos expressarmos.”

“O Governo deve ajudar os jovens a crescerem” — Virgínia Lourito Domingos, cidade de Nampula

“O Governo deve ajudar os jovens a crescerem. Hoje em dia, os jovens não estão a formar-se o suficiente, por falta de emprego e por falta de condições. A minha mensagem é para que o Governo pudesse apoiar mais a juventude, criar oportunidades e dar condições para que possamos estudar, trabalhar e ter um futuro melhor.”

“A inclusão da juventude é chave para a paz e o futuro do país” — Bernardo Gomes Cipriano, Eráti

“Hoje, no Dia Internacional da Juventude, é momento de reflectirmos porque este dia foi criado. É preciso que o Governo continue a trabalhar com os jovens e a apostar na inclusão, porque é a inclusão que vai trazer a paz no país. E é com a paz que nós construímos, é com a paz que tudo é possível.”

“Mais do que palavras, o Governo deve sentar-se com a juventude para ouvir as suas prioridades” — Santos Conta, cidade de Nampula

“O Dia Internacional da Juventude devia ser para reflectirmos sobre como o jovem é tratado actualmente. O desemprego, a falta de habitação e as dificuldades de acesso ao ensino superior continuam a ser os nossos maiores desafios. Mais do que prometer, o Governo precisa materializar as políticas e sentar-se com os jovens para ouvir quais são, de facto, as nossas prioridades. Muitas vezes, as decisões são impostas sem conhecer a realidade da juventude. E isso é exclusão.” Faizla Raimo

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