SOCIEDADE
Igreja não pode evangelizar sem comunicação, afirma Bispo Auxiliar da Beira
A comunicação é parte essencial da missão da Igreja e não um instrumento opcional, afirmou o Bispo Auxiliar da Beira, Dom António Constantino, ao defender que a evangelização só se cumpre plenamente através do uso dos meios de comunicação.
O prelado falava no primeiro painel do simpósio e lançamento do livro comemorativo Vida Nova 65, onde abordou o tema “Os meios de comunicação na missão evangelizadora da Igreja em Moçambique: fundamentos, desafios e perspectivas”. Citando o Concílio Vaticano II e os Papas Paulo VI e João Paulo II, recordou que a Igreja sentir-se-ia culpada diante de Deus se não recorresse aos instrumentos modernos de comunicação, incluindo a inteligência artificial.
“Jesus Cristo é a Palavra, o Logos, Deus feito carne. A evangelização é, por essência, um acto comunicativo, e por isso a Igreja não pode abdicar da comunicação”, frisou.
Dom António Constantino evocou também a história da comunicação eclesial em Moçambique. Recordou que já em 1955 a Igreja esteve na origem da Rádio Pax, a primeira rádio privada no país, e que, pouco depois, lançou o Jornal Diário de Moçambique, um dos marcos da imprensa em Moçambique. Em 1959, criou ainda a revista Vida Nova, que se mantém até hoje como referência da comunicação católica.
O prelado destacou igualmente o papel de rádios como a Pax, a Encontro e a São Francisco, bem como os murais e cartas pastorais que marcaram a vida do país, sobretudo após a Independência, como instrumentos de evangelização, justiça e reconciliação nacional.
“As cartas pastorais dos bispos foram um marco, porque mostraram como a comunicação se tornou instrumento de justiça e reconciliação nacional”, afirmou.
Para Dom António, este percurso comprova que a comunicação “não é um acessório, mas o coração da missão da Igreja”, sendo essencial para aproximar fé, cultura e sociedade no contexto moçambicano actual. Redacção