ECONOMIA
HAIYU une Natupi e Muripa com nova escola primária
A infra-estrutura é a primeira para as duas comunidades e há ansiedade para a sua inauguração
A Haiyu Mozambique Mining, Co. Lda concluiu a construção da Escola Primária Samora Machel da Comunidade de Natupi e Muripa, uma infra-estrutura de raiz avaliada em 14.952.465,71 meticais, erguida estrategicamente no ponto médio entre as duas comunidades. A obra constitui a maior realização social recente na região e responde a uma demanda antiga das populações, que há anos reivindicavam um acesso local, digno e seguro ao ensino básico.
A escola foi concebida para pôr fim ao sofrimento de gerações de crianças que eram obrigadas a percorrer longas distâncias até Nacalela ou Ntopa para estudar. Muitas desistiam pelo cansaço, pela insegurança dos caminhos e pela falta de condições elementares. Para numerosas famílias, a distância funcionava como uma barreira intransponível, retirando das crianças o direito de aprender a ler e escrever.
Com quatro salas devidamente equipadas com carteiras escolares, bloco administrativo, instalações sanitárias e rampas de acesso, a nova infra-estrutura é a primeira escola formal existente entre as duas comunidades, um marco que altera o panorama educacional local e reduz significativamente as desigualdades no acesso à educação.
Rodrigues Ussene, secretário da comunidade de Muripa
Apesar da conclusão total da obra, Natupi e Muripa vivem agora uma fase marcada por expectativa e emoção. Falta apenas a inauguração oficial. “A escola já está na fase conclusiva, só falta a sua entrega e a sua inauguração. Já é uma avaliação boa para as duas comunidades”, afirma Rodrigues Ussene, secretário da comunidade de Muripa.
Albertino Miguel, chefe povoação de Natupi,
A ansiedade não se limita às lideranças locais. Entre os moradores, o sentimento é de alívio e esperança. “Há mais de 200 crianças que não vão à escola pela distância. Esta escola é um grande ganho. Estamos muito satisfeitos e à espera da inauguração”, explica Albertino Miguel, chefe povoação de Natupi, destacando que a nova infra-estrutura poderá reintegrar muitos menores ao sistema de ensino.
A transformação, dizem os líderes comunitários, já se faz sentir antes mesmo de a escola abrir as portas. “Antes as crianças que conseguiam ir na escola sentavam no chão; agora vão sentar em carteiras. Está havendo o desenvolvimento”, descreve Saide Ali Momade, secretário de Natupi, sublinhando a mudança no ambiente escolar e o orgulho das famílias locais.
Saide Ali Momade, secretário de Natupi
A obra representa igualmente uma oportunidade para ampliar o acesso à educação de adultos, um desejo manifestado durante as consultas comunitárias. A expectativa é que, após a inauguração, possam ser abertas turmas de alfabetização e, futuramente, cursos nocturnos, contribuindo para o fortalecimento do capital humano na região.
A escola nasceu de um processo participativo. Durante o desenho do plano de responsabilidade social, Natupi e Muripa solicitaram a construção de escolas, mas reconheciam que, individualmente, não tinham população suficiente para duas infra-estruturas separadas. A decisão conjunta de erguer uma única escola no ponto central reforçou o espírito de cooperação entre as comunidades vizinhas.
A realização consolidou-se como símbolo de união comunitária e de diálogo social construtivo, demonstrando que a articulação entre empresa e comunidades pode gerar obras estruturantes com impacto directo no bem-estar colectivo. A escola, que já ostenta o nome de Samora Machel, é vista como o início de um novo ciclo de oportunidades para crianças e adultos.
Com a infra-estrutura concluída, limpa, equipada e preparada para uso, Natupi e Muripa aguardam apenas o momento mais esperado: a inauguração que permitirá que centenas de crianças deixem de caminhar longas distâncias e encontrem, finalmente, uma escola dentro da sua própria comunidade. O acto é visto como um passo decisivo para o desenvolvimento local e para a consolidação de direitos que, durante décadas, permaneceram fora do alcance das famílias.
Redacção