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Haiyu investe perto de 40 milhões em centro de saúde do tipo II em Mpuitine
A Comunidade acredita que a nova unidade vai pôr fim às longas caminhadas e partos arriscados no percurso até outras comunidades
A Haiyu Mozambique Mining, Co. Lda. está a investir perto de 40 milhões de meticais na construção de um centro de saúde do tipo II na comunidade de Mpuitine, localidade de Mpago, distrito de Moma. O projecto, inserido no âmbito da responsabilidade social da empresa, é aguardado com grande expectativa pela população local.
Actualmente, os moradores de Mpuitine percorrem longas distâncias até aos centros de saúde mais próximos, em Pilivile ou Briganha. Esta realidade tem levado a situações dramáticas, incluindo partos realizados em casa ou no percurso. A construção da nova unidade é, por isso, considerada uma prioridade inadiável.
Rajabo Cajuane, influente da comunidade, explicou que a decisão de priorizar um centro de saúde resultou das consultas públicas realizadas antes do arranque do projecto. “Vivemos com grandes dificuldades por não termos posto de saúde. Optámos pelo centro de saúde porque a distância até Pilivile ou Briganha é muito longa. Esta unidade vai encurtar o sofrimento e normalizar a nossa vida”, afirmou.
Rajabo Cajuane
Domingos Momade, membro do Conselho Comunitário de Mpuitine, recorda uma experiência dolorosa que ilustra a urgência da obra. “Transportava uma senhora para o hospital e, pelo caminho, tive de assistir ao parto. Estas situações vão acabar quando tivermos a unidade perto de nós”, contou. Para ele, a nova infraestrutura representa também poupança em transporte, já que quem tem motorizada gasta cerca de dois litros de combustível para chegar a um centro de saúde.
A juventude vê no hospital um marco de transformação. Sérgio Victor Jamal, morador da comunidade de Mpuitine, acredita que a obra vai resgatar a esperança de muitos. “Há pessoas que desistem do tratamento por falta de transporte. O hospital vai devolver a esperança e será motor de desenvolvimento, porque todos poderão cuidar da sua própria saúde e ter acesso a testes e consultas”, destacou.
Domingos MomadeJamal acrescenta um pedido: que a futura unidade contrate trabalhadores locais. “Se os serventes forem da comunidade, o atendimento será melhor. Atenderão os seus pais, irmãos e vizinhos com mais cuidado. Isso também é desenvolvimento”, frisou.
Para as mulheres, a expectativa é ainda maior, uma vez que são as mais expostas à falta de assistência médica. Adélia Amade, moradora de Mpuitine, sublinhou que já testemunhou partos forçados ao longo do percurso. “Vi mulheres a darem à luz de noite, no caminho. Quando o hospital terminar, esse sofrimento vai diminuir. Pedimos apenas que as obras sejam aceleradas”, apelou.
Sérgio Victor Jamal
Além do impacto directo na saúde, os líderes comunitários acreditam que o centro vai melhorar a qualidade de vida de toda a região. “As pessoas não ficarão isoladas. Haverá mais esperança e confiança no futuro. Este hospital será uma herança para os nossos filhos”, disse Jamal.
O investimento da Haiyu é visto como resposta a um clamor antigo. “Durante anos recebemos promessas que nunca se concretizaram. Desta vez, sentimos que o nosso grito foi ouvido”, apontou Domingos Momade.
Com o avanço das obras, cresce a ansiedade da população. “Estamos a contar os dias para a conclusão. Para nós, o hospital é a diferença entre a vida e a morte. Quantos perderam familiares por falta de atendimento imediato? Com esta unidade, acreditamos que essa realidade vai mudar”, disse Adélia Amade.
Adélia Amade
A construção do hospital também vai aliviar a pressão sobre os serviços de saúde de Pilivile ou Briganha, frequentemente sobrecarregados com pacientes vindos de comunidades distantes. “Quando o centro abrir, vai reduzir a pressão sobre os outros hospitais”, explicou Rajabo Cajuane.
Segundo a Haiyu, o projecto enquadra-se na estratégia de responsabilidade social da empresa, que tem procurado investir em áreas críticas para as comunidades anfitriãs. O centro de saúde de Mpuitine é, contudo, considerado o mais emblemático, por responder a uma necessidade vital.
“Queremos apenas que as obras não parem. Este hospital é mais do que uma construção, é a vida da comunidade”, resumiu Rajabo Cajuane, numa frase que reflecte o sentimento partilhado por todos os moradores por nós entrevistados em Mpuitine, no distrito de Moma.
Mpuitine é apenas uma das comunidades que acolhe o projecto de exploração de areias pesadas da Haiyu em Moma. Redacção