ECONOMIA
Governo intervém e devolve Praia da Carrusca ao povo
Artesãos voltam a trabalhar após decisão que garante acesso público à orla marítima
Vinte e quatro horas após a denúncia do Jornal Rigor, o Governo Provincial de Nampula interveio para garantir que a Praia da Carrusca, em Chocas Mar, distrito de Mossuril, continue acessível a todos os cidadãos, depois do conflito que levou à expulsão e destruição das barracas de 26 artesãos que ali trabalhavam há mais de duas décadas.
A equipa governamental, encabeçada pelo edil e pelo administrador distrital de Mossuril, deslocou-se ao local esta terça-feira (04). Durante o encontro, foi decidido que nenhum acesso à praia poderá ser vedado até que seja criada uma nova entrada pública. A decisão reafirma que a orla marítima é domínio público e pertence a todos os moçambicanos, não podendo ser objecto de privatização.
“Estamos muito satisfeitos. A equipa disse que foi mandatada pelo nosso governador, Tio Salimo, e explicou que nós, povo, temos direito de cem metros da praia, podendo continuar as nossas actividades à vontade”, declarou um dos artesãos ao Rigor, manifestando alívio pela decisão governamental.
O administrador do distrito de Mossuril, Hélio Rareque, confirmou ao Rigor que a praia não será encerrada ao público, sublinhando que o espaço é um domínio público e que nenhuma parte da orla pertence a particulares.
“A praia é pública, é um domínio público. O que estamos a discutir aqui é a questão da acessibilidade. Uma das formas de aceder àquela praia era através do complexo Carrusca, que foi fechado, mas isso não quer dizer que a praia será encerrada. O complexo foi vendido, sim, mas a praia continua a ser pública e de todos. Não existe uma praia particular aqui em Chocas nem em Mossuril. A praia é da população, não é da Carrusca”, explicou Rareque.
O governante acrescentou que o problema em causa diz respeito apenas ao acesso, e não à propriedade da área. Segundo ele, as autoridades locais estão a trabalhar para criar e melhorar novas vias de acesso, de modo a assegurar que o público continue a frequentar a zona costeira e que os artesãos não percam o seu sustento.
“O que estamos a discutir é a acessibilidade. Uma coisa é a praia, que é pública, e outra coisa é o acesso via complexo Carrusca. O nosso trabalho agora é ver outros caminhos e melhorar os acessos. Hoje mesmo estivemos lá com os artesãos, conversámos com eles e posso confirmar que já estão a trabalhar. O importante é que tanto os turistas como os artesãos tenham condições para usufruir daquele espaço. Se só estiverem os artesãos sem turistas, não terão a quem vender os seus produtos. Queremos garantir que ambos possam beneficiar”, afirmou o administrador.
Hélio Rareque reafirmou ainda que não existe nenhuma praia privada no distrito, frisando que a orla marítima é um património colectivo.
“Quero deixar claro que não há nenhuma praia particular em Mossuril. Carrusca, Mossuril e a praia são de todos. A praia é pública, pertence ao Estado e à população. O que estamos a fazer é organizar melhor os acessos, para que o turismo e o artesanato local possam crescer juntos, em harmonia”, concluiu. Vânia Jacinto
Nizete Cassamo
Novembro 4, 2025 at 6:25 pm
Estou muito feliz! Obrigada
Jafar Buana
Novembro 4, 2025 at 7:54 pm
Bom trabalho, jornal Rigor.