POLÍTICA
Governo e sociedade civil apelam a diálogo inclusivo no lançamento da auscultação em Nampula
O Governo e a sociedade civil de Nampula apelaram esta segunda-feira, durante o lançamento da auscultação pública do Diálogo Nacional Inclusivo, à promoção de um processo aberto, participativo e representativo, que envolva todos os sectores da sociedade e contribua para o fortalecimento da coesão e da paz em Moçambique.
O acto, dirigido pelo Secretário de Estado na província, marcou o início da auscultação a nível provincial e nacional, considerada uma etapa decisiva para recolher contribuições da população sobre os principais desafios políticos, económicos e sociais do país. “A auscultação visa permitir uma ampla participação de todos os tratos e segmentos sociais – político, económico, cultural e académico – na discussão e alinhamento de ideias que concorram para a definição de um quadro legislativo e administrativo de consenso”, afirmou.
O governante sublinhou que este momento representa um marco importante no processo de diálogo, por abrir espaço à escuta das vozes de todos os moçambicanos, sem distinção. “A auscultação pública constitui uma fase crucial, pois abre espaço para que sejam ouvidas todas as vozes e constitui uma oportunidade decisiva e bastante aguardada”, destacou.
Apelou igualmente à participação activa da população, exortando os cidadãos a apropriarem-se deste processo. “Queremos exortar, não só aos participantes deste acto, mas a todos os cidadãos da província de Nampula, para que se apropriem deste momento e participem activamente, fazendo dele mais uma ocasião de exercício da cidadania, de reforço da cultura de paz, da coesão e da reconciliação nacional”, disse.
O Secretário de Estado reforçou que o diálogo deve ser entendido como um espaço aberto e livre, onde cada cidadão pode expressar o seu ponto de vista sem restrições. “A auscultação pública representa um marco histórico e fundamental para a consolidação da democracia no país. É um espaço aberto para que cada um possa expressar o seu ponto de vista, as suas ansiedades, sem amarras políticas ou burocráticas”, frisou.
Na mesma cerimónia, a representante da sociedade civil, Luísa Ofman, reiterou o compromisso das organizações sociais em participar de forma activa no processo, destacando que o diálogo inclusivo é uma oportunidade para o país reencontrar o caminho da confiança, da unidade e da estabilidade política. “Moçambique enfrenta uma fase muito importante da sua história. Depois da luta pela independência e da transição para o multipartidarismo, o país continua a enfrentar desafios, sobretudo a descredibilização das instituições eleitorais, que mergulham o país em conflito”, lembrou.
Para a sociedade civil, o diálogo inclusivo deve ir além de um exercício formal e transformar-se num verdadeiro espaço de escuta e construção conjunta. “Este processo só poderá efectivar-se se nos despirmos de preconceitos, erros e complexos que muitas vezes têm sido colocados à frente dos interesses do país. Todas as vozes, especialmente as dos grupos marginalizados, devem ser ouvidas e valorizadas”, concluiu. Vânia Jacinto