ECONOMIA
Governo de Nampula impõe água e saneamento em todas as obras públicas
A Direcção Provincial de Obras Públicas de Nampula anunciou uma mudança profunda na concepção das infra-estruturas públicas, determinando que nenhuma escola, hospital ou edifício estatal será construído sem incluir sistemas de água e saneamento.
A medida, considerada inovadora, visa garantir condições dignas, higiene e saúde preventiva nas comunidades.
O director provincial de Obras Públicas, Faquira Paulio Araújo Massalo, explicou que a decisão surge após uma avaliação que revelou que muitas instituições de ensino e saúde ainda funcionam sem acesso à água potável.
“A nossa visão é que nenhuma escola ou hospital volte a funcionar sem água e sem sanitários. As obras públicas precisam responder à dignidade humana, e isso começa com o acesso à água e ao saneamento”, afirmou.
Segundo Massalo, que falava em exclusivo ao Rigor, a província tem actualmente cerca de 60 contratos activos de construção e reabilitação de infra-estruturas sociais, a maioria já com componentes integradas de abastecimento de água e sanitários modernos.
Entre as obras concluídas, destaca-se o sanitário do Centro de Saúde de Ontupaia, em Nacala-Porto, considerado um modelo de qualidade e funcionalidade.
Apesar das restrições orçamentais, o sector tem conseguido avançar graças à colaboração de parceiros internacionais, como a UNICEF, a CARE e o Banco Mundial, que financiam vários projectos de água e saneamento escolar.
“Com o apoio dos nossos parceiros conseguimos ultrapassar as metas. Previmos construir 13 sistemas, mas já concluímos 23 e temos mais 11 projectos em fase de desenho executivo”, revelou.
Os novos sistemas abrangem Murupula, Angoche, Malema, Namialo e Mogovolas, além de grandes empreendimentos em Namialo, Malema e Namitil (Mogovolas), que já atingiram cerca de 10% de execução física.
“Estamos a levar água a lugares onde nunca existiu. Isso muda a vida das pessoas e melhora directamente a saúde pública”, salientou o director.
A Direcção Provincial de Obras Públicas está igualmente a mapear escolas e centros de saúde sem acesso à água, a fim de definir prioridades de intervenção para 2025. Em Quinga, por exemplo, foi aberto um novo furo de produção que será ligado a um sistema de distribuição permanente para o centro de saúde local.
Massalo sublinhou que a aposta em infra-estruturas sociais completas e funcionais é uma forma de prevenir doenças e promover qualidade de vida nas zonas rurais e periurbanas.
“Estamos a investir em saúde preventiva. É uma inovação que queremos institucionalizar: nenhuma obra pública será entregue sem água nem saneamento”, concluiu. Faizal Raimo