ECONOMIA
Governo canaliza mais de 500 milhões de meticais a comunidades em zonas de exploração florestal
O Governo de Moçambique canalizou mais de 500 milhões de meticais para cerca de duas mil comunidades residentes em zonas onde decorre ou decorreu a exploração florestal, segundo revelou o director nacional de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume, durante a abertura da Pré-Conferência sobre o Maneio Comunitário dos Recursos Naturais (MCRN), realizada em Maputo.
“O MCRN é crucial para o país porque permite que as comunidades tenham um papel activo na conservação, na partilha de benefícios e no uso sustentável dos recursos, gerando rendimento, riqueza e bem-estar”, afirmou Falume, frisando que a abordagem também visa fortalecer a economia local e garantir a sustentabilidade ecológica.
“Comunidades são guardiãs dos recursos e têm de beneficiar deles”, disse Falume destacando que a aprovação da Política Florestal, em 2020, e da nova Lei de Florestas, em 2023, veio reforçar o papel das comunidades, das mulheres, jovens e grupos vulneráveis na gestão dos recursos naturais.
A legislação prevê mecanismos para que estes grupos tenham acesso justo aos benefícios individuais e colectivos resultantes dos seus esforços de protecção e conservação.
A iniciativa do MCRN, segundo o dirigente, permite que as comunidades locais beneficiem directamente da pesca, de produtos florestais, da fauna bravia, do ecoturismo e do património cultural e paisagístico, melhorando a qualidade de vida das famílias.
O director nacional salientou ainda que o modelo contribui para a adaptação das comunidades aos efeitos da mudança climática, ao mesmo tempo que valoriza o conhecimento tradicional sobre os ecossistemas, a biodiversidade e as práticas sustentáveis de gestão.
“Dar voz às comunidades é reconhecer que elas são as verdadeiras guardiãs dos recursos naturais e devem estar no centro das decisões, das parcerias e dos benefícios. O MCRN é uma oportunidade concreta de ligar conservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento económico”, concluiu Falume.
A conferência prolonga-se até ao próximo dia 2 de Agosto, em Maputo, sob o lema “Contribuição do Maneio Comunitário para a Mitigação das Mudanças Climáticas e o Desenvolvimento Local”. Faizal Raimo