ECONOMIA

Governo autoriza abate de dois elefantes que já mataram 14 pessoas em Mogincual

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O distrito de Mogincual, na província de Nampula, continua a enfrentar um grave conflito entre comunidades e fauna bravia, com registo de cerca de 14 mortes provocadas por elefantes desde 2014. A situação, considerada crítica pelas autoridades locais, levou o Governo a autorizar o abate de dois elefantes que há vários anos atacam populações, destroem machambas e invadem aldeias.

A informação foi avançada pelo Secretário de Estado da província de Nampula durante a sua visita de trabalho ao distrito. Segundo o governante, o assunto “é do conhecimento das autoridades e já foi discutido no órgão competente”, tendo sido necessário emitir autorização formal e disponibilizar recursos para uma intervenção imediata.

“Há necessidade de abater estes dois elefantes que têm destruído vidas. A autorização já foi dada e os recursos disponibilizados para travar esta ameaça”, afirmou.

O conflito Homem–Fauna Bravia tem afectado várias comunidades de Mogincual, onde os elefantes circulam livremente, atacam famílias e devastam produções agrícolas. As vítimas registadas ao longo dos últimos anos incluem agricultores que trabalhavam nas machambas, mulheres que se deslocavam para fontes de água e jovens surpreendidos durante actividades diárias.

Além das mortes e mutilações, os líderes locais alertam que a presença constante de elefantes tem agravado a insegurança alimentar, porque as machambas são destruídas repetidas vezes, obrigando as famílias a recomeçar o cultivo sempre que ocorre um ataque.

Durante a visita, o Secretário de Estado apelou ao tratamento rigoroso e legal das situações de violência e desencorajou a politização do problema.

“Se é crime, tem de ser tratado como crime. É importante que quem viola a lei responda perante a justiça. Caso contrário, criamos um país de impunidade”, sublinhou, referindo-se também a comportamentos abusivos registados em algumas comunidades.

Os líderes comunitários pediram reforço do patrulhamento, maior presença de fiscais e apoio técnico para mitigar novos ataques de fauna bravia, lembrando que, apesar da autorização do abate, o distrito continua vulnerável devido à densidade de animais na região.

O Governo assegura que continuará a monitorar a situação e a trabalhar com as autoridades distritais e parceiros para reduzir os riscos, proteger vidas humanas e minimizar o impacto do conflito entre comunidades e fauna bravia em Mogincual.

Água, energia e estradas continuam a ser os maiores desafios de Mogincual

O acesso à água potável, a expansão da energia e a reabilitação das estradas continuam a ser os principais entraves ao desenvolvimento do distrito de Mogincual.

Segundo o secretario de estado de Nampula, apesar de avanços pontuais, como a reactivação de dois sistemas de abastecimento de água na vila-sede, o distrito permanece longe de responder às necessidades da população, sobretudo em comunidades periféricas. Na área da energia, explicou que decorre um estudo do Ministério dos Recursos Minerais e Energia para levar energia solar ou eólica às aldeias situadas a curta distância da linha de transporte de Cahora Bassa, reduzindo a exclusão energética.

A situação das estradas foi apontada como um dos problemas mais graves, afectando a mobilidade de pessoas e bens, o acesso aos centros de saúde e a circulação de produtos agrícolas. “A transitabilidade continua fraca e Mogincual não foge à regra daquilo que se vive em muitos distritos da província”, disse o Secretário de Estado, sublinhando que o Governo está a trabalhar com parceiros para melhorar gradualmente a rede viária.

Durante a visita, foram ainda levantadas preocupações relacionadas com a falta de sementes melhoradas, a escassez de funcionários públicos em sectores-chave e a necessidade de reforço de serviços básicos. O governante assegurou que as preocupações foram registadas e que o Executivo provincial vai acompanhar de perto as prioridades de Mogincual no novo ciclo de governação. Faizal Raimo

 

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