SOCIEDADE

Geógrafo defende alfabetização científica nas comunidades para combater crenças sobre fenómenos naturais

Publicado há

aos

Nampula – O geógrafo moçambicano Reginaldo Muacuveia aproveitou a passagem do Dia do Geógrafo para lamentar o reduzido consumo, por parte das comunidades, de informações científicas relacionadas com fenómenos naturais, o que, segundo ele, alimenta crenças e práticas tradicionais que dificultam a compreensão racional dos acontecimentos da natureza.

“Continuamos a ver pessoas a bater latas durante eclipses ou a acreditar que não chove porque alguém travou a chuva. Isso demonstra que o conhecimento científico ainda não chegou de forma efectiva às comunidades”, afirmou Muacuveia em entrevista ao Jornal Rigor.

Para o académico, a falta de difusão do saber geográfico nas zonas rurais e periferias urbanas contribui para que muitos fenómenos naturais sejam interpretados com base em mitos e superstição. Embora reconheça que já há avanços em bairros urbanos onde se compreende que fenómenos como eclipses são naturais, Muacuveia defende que o conhecimento deve ser socializado de forma mais ampla e inclusiva.

“O nosso objectivo deve ser erradicar o medo e o misticismo em torno dos fenómenos naturais. As pessoas devem poder dormir tranquilas durante um eclipse, sem sacrificar bois para obter farinha, por exemplo”, declarou.

Reginaldo Muacuveia sublinha que o saber tradicional tem o seu lugar na história e evolução das comunidades, mas alerta que é preciso capacitar os jovens – especialmente os que têm acesso ao sistema de ensino – para que sejam pontes entre a ciência e o saber local.

“Isso não significa romper bruscamente com o passado. O senso comum tem o seu valor. Por exemplo, prever chuva com base na densidade das nuvens é um saber tradicional que deve ser respeitado. Mas esperamos que as novas gerações avancem para além disso, absorvam o conhecimento científico e o transmitam às comunidades”, frisou.

O geógrafo considera que os estudantes devem ser agentes de mudança, levando informação científica às comunidades por diferentes vias: “Seja por contos, escrita, comunicação oral ou outros meios, especialmente onde há pouco acesso à informação.”

Por fim, apelou ao reforço do papel do Estado, particularmente através de políticas públicas de alfabetização científica que vão além da presença física de escolas nas zonas remotas: “As escolas são importantes, mas sozinhas não bastam. É preciso formar educadores capazes de traduzir o conhecimento científico em linguagem acessível às comunidades, para que todos compreendam o mundo que os rodeia.”

O Dia do Geógrafo, assinalado a 29 de Maio, constitui uma oportunidade para reflectir sobre o papel da ciência geográfica na vida quotidiana e no desenvolvimento sustentável das sociedades. Vânia Jacinto

 

 

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Lidas

Exit mobile version