ECONOMIA

Fundo Catalítico de Emergência vai apoiar empresas de Nampula afectadas por choques políticos e climáticos

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Empresários da província de Nampula reuniram-se esta terça-feira (19) para receber esclarecimentos sobre o funcionamento da V edição do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração (FCID), iniciativa destinada exclusivamente às províncias do norte do país, Nampula, Cabo Delgado e Niassa.

Com um total de 5 milhões de dólares disponíveis, esta edição foi concebida com carácter de emergência, visando apoiar empresas e cooperativas moçambicanas que enfrentaram choques políticos ou climáticos e que precisam de recuperar a sua estabilidade, garantir postos de trabalho e reforçar a resiliência.

De acordo com o Director-Geral da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, Celso Cunha, a edição actual introduz critérios de elegibilidade diferentes dos anteriores, privilegiando empresas nacionais ou cooperativas com pelo menos três anos de actividade comprovada. Entre os requisitos estão a apresentação de provas dos impactos sofridos e documentos do INSS que confirmem o número de trabalhadores activos.

“Depois dos choques políticos e climáticos que o país enfrentou, fomos desafiados a mobilizar recursos para apoiar o sector privado. Por isso, esta edição tem um carácter de emergência. Estão em avaliação cerca de 80 candidaturas de empresas de Nampula, sendo que cada beneficiária poderá receber entre um e três milhões de meticais, dependendo da sua solicitação e da avaliação do comité”, explicou Cunha.

O responsável garantiu que a selecção das empresas é conduzida de forma transparente por um Comité de Investimento independente, maioritariamente constituído por representantes do sector privado. “O comité é autónomo e procura garantir sigilo para evitar pressões externas. Qualquer empresário que se sentir prejudicado pode recorrer aos mecanismos de reclamação existentes”, acrescentou.

Para os empresários locais, a iniciativa representa uma oportunidade de recuperação num contexto marcado por adversidades. Luís Vasconcelos, Vice-Presidente do Conselho Empresarial de Nampula, destacou a importância da presença da agência em Nampula e a abertura ao diálogo: “É uma mais-valia. Louvamos a transparência, mas também é preciso pensar nos empresários de localidades como Nampula, que não têm internet ou computadores para se inscreverem, apesar de terem sido fortemente afectados por ciclones e vandalização.”

A janela de candidaturas, inicialmente prevista para 30 dias, foi prorrogada por mais 60, permitindo a inscrição de um maior número de empresas. A expectativa é que os fundos cheguem ainda este ano às entidades seleccionadas, ajudando a restaurar a estabilidade e dinamizar o sector privado nas três províncias mais expostas a choques climáticos e políticos. Assane Júnior

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