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FDEL torna-se na última cartada para financiar a campanha agrária em Nampula

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A falta de financiamento agrícola está a lançar uma sombra sobre as metas da campanha agrária 2025/2026 em Nampula. No lançamento oficial da época, esta quinta-feira (13), em Angoche, agricultores de vários distritos afirmaram que trabalham com recursos próprios e que, sem crédito, maquinaria e vias transitáveis, dificilmente conseguirão aumentar a produção. Para muitos, o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) tornou-se a última cartada.

Romão Vasco, produtor de Rapale, contou que a sua produção depende exclusivamente de meios pessoais. “Faço tudo sozinho. Precisamos de tractores, motobombas e assistência técnica. Vim aqui expor o meu trabalho para ver se o Governo pode dar a mão”, disse, numa realidade comum entre pequenos e médios agricultores.

Em Angoche, a produtora Adélia Chatulia lamentou que a falta de água para irrigação já esteja a comprometer a expansão das machambas. “A represa desapareceu com a chuva. Ficámos com terra sem água. Sem motobomba e sem dinheiro, não conseguimos aumentar terreno”, afirmou.

Em Namaponda, o agricultor Mulaliha Mussa explicou que parte dos seus produtos nem sequer chegou à exposição devido ao mau estado das vias. “A estrada está em deficiência e a ponte do rio Mutomote preocupa-nos. Para além do apoio financeiro, precisamos de estradas que permitam levar a produção ao mercado”, alertou.

Sem alternativas, os produtores apostam agora no FDEL. Vários já submeteram projectos na esperança de garantir meios para trabalhar as suas terras. “Já submeti alguns projectos. Não sei se serei aprovado, mas é a única forma de aumentar a produção”, disse Mussa.

Brito Vatonco, agricultor de Murrupula há mais de 20 anos, reforça o apelo ao Governo. “Não recebo nenhum financiamento. Peço que sejam aprovados mais projectos. Temos capacidade para produzir milho, gergelim, feijão e amendoim. O que falta são meios”, afirmou.

Apesar das preocupações dos produtores, as autoridades mantêm um discurso optimista. Danilo Ernesto Paivale, extensionista de Nacala, reconhece as dificuldades, mas afirma que o sector apresenta indicadores positivos. “Os números são encorajadores em comparação com a campanha passada. Vamos intensificar a assistência técnica. E, na componente financeira, saudamos o FDEL. Recebemos várias propostas agrícolas com potencial”, disse. José Luís

 

 

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