ECONOMIA

Falta de gasolina gera filas nas Bombas e especulação de preço no Mercado Negro em Nampula

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A cidade de Nampula enfrenta, há semanas, uma crise de gasolina, obrigando automobilistas a recorrer ao mercado negro, onde o litro do combustível chega a custar entre 100 e 120 meticais.

Vários postos de abastecimento em áreas estratégicas, como Faina, Mercado Central, Rotunda da Cidade, Sipal e Academia Militar, estão fechados.

A escassez intensificou-se após a passagem do ciclone Jude, que destruiu as principais vias de acesso à cidade. As poucas bombas ainda em funcionamento são forçadas a abastecer cerca de 500 veículos por hora, intercalando entre carros e motorizadas para tentar atender à alta demanda, o que tem causado longas filas e tumultos.

José Fabião, condutor que encontramos num posto de combustível na zona do Trim Trim, conta que começou a sentir o impacto logo após a passagem do ciclone.

“Foi desde aquele momento em que o ciclone Jude destruiu pontes. A partir daí, o fornecimento de combustível começou a oscilar. Em algumas bombas encontramos gasolina, noutras não. Ontem, por exemplo, vi colegas com dificuldades para abastecer. Hoje, aproveitei a manhã, logo após o trabalho, para tentar abastecer, mas deparei-me com esta fila enorme”, relatou.

Bernardo Armando, serralheiro, também vive a mesma dificuldade. Ele percorreu quase toda a cidade à procura de gasolina até finalmente encontrar o posto do Trim Trim aberto.

“Não sei qual é o problema, só vejo filas intermináveis todos os dias. Já passei por vários postos, como o da Casa Fabião, e a fila lá é a maior que já vi na vida. Aqui também está cheio, mas pelo menos tem combustível”, lamentou.

O Rigor apurou que a Casa Fabião, localizada no centro da cidade, é um dos poucos postos que ainda conseguem atender os automobilistas, mesmo com dificuldades. O moto taxista David Jorge relata que tentou abastecer em pelo menos quatro postos antes de ter a sorte de encontrar combustível na Casa Fabião.

“Esta crise preocupa-nos bastante aqui em Nampula. Passei pela Faina, Sipal, Academia Militar e só aqui encontrei gasolina. Alguns postos ainda têm combustível, mas não querem abastecer e não explicam o motivo. Outros simplesmente fecharam as portas”, disse.

Outro condutor, Arnaldo Lopes Basílio, que também visitou quatro postos antes de chegar à Casa Fabião, mantém o optimismo e acredita que a situação será resolvida em breve.

“Tem havido uma grande crise de combustível devido às más condições das nossas estradas e porque o combustível esgotou no Porto de Nacala. Mas ouvi dizer que já chegou um navio e está a descarregar”, afirmou.

Apesar da escassez, os postos oficiais ainda não aumentaram os preços. No entanto, no mercado paralelo, os revendedores já impõem preços abusivos, vendendo meio litro de gasolina entre 50 e 60 meticais.

O assessor jurídico da Casa Fabião, Hélder Meneses, afirma que a situação tem sido difícil e que não há garantias de que o abastecimento se mantenha nos próximos dias.

“Neste momento, temos combustível e estamos a descarregar um camião, mas não sei se amanhã teremos. Sem a chegada de um novo navio, o fornecimento continuará insuficiente. Normalmente, havia um intercâmbio entre quem recebia e quem não recebia, mas, com a destruição da ponte sobre o rio Monapo, isso ficou inviável. Sei que Pemba recebeu combustível, mas não pode ceder a Nampula devido à ponte e às dificuldades logísticas”, explicou Meneses.

O Rigor apurou que a falta de combustível, principalmente gasolina, deve-se ao atraso na atracagem de navios responsáveis pelo abastecimento do terminal do Porto de Nacala, principal ponto de entrada de combustível na região. O problema agravou-se desde a passagem do ciclone Jude, que afectou gravemente a província de Nampula. Daniela Caetano

 

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