SOCIEDADE
Exclusivo: Desmantelada rede criminosa no comando da PRM em Mogovolas
Detidos o comandante distrital, o chefe das operações e três agentes ligados a crimes que abalaram a região desde 2024
Foi finalmente desmantelada uma rede criminosa que operava a partir do interior do comando distrital da PRM em Mogovolas, província de Nampula. O esquema envolvia o próprio comandante distrital, o chefe das operações e três agentes afectos à Polícia de Trânsito, SERNIC e sector maior — todos já detidos e em processo de legalização nesta quinta-feira (10).
Fontes do Jornal Rigor junto da corporação em Nampula e no distrito de Mogovolas confirmam que esta rede esteve por detrás da instabilidade vivida na região desde Setembro do ano passado, altura em que começaram a emergir protestos públicos, assaltos e actos de vandalismo.
A rede criminosa desmantelada no Comando Distrital da PRM de Mogovolas é apontada como responsável pelos principais distúrbios registados na região desde Setembro do ano passado. Entre os episódios mais marcantes associados ao grupo destacam-se o assalto a um agente e o roubo de valores monetários, uma alegada retaliação encoberta por desinformação sobre um surto de cólera, o ataque a uma empresa mineira com o roubo de diversos minérios, entre outros crimes graves que contribuíram para instalar um clima de medo e desordem no distrito.
Segundo apurou o Rigor, os agora detidos facilitavam acções criminosas, protegiam indivíduos ligados ao garimpo ilegal e intimidavam empresários locais, alimentando uma cultura de impunidade com graves consequências para a ordem pública.
Pressões para soltura e silêncio institucional
Fontes do Rigor, tanto em Mogovolas como no seio da corporação em Nampula, confirmaram que há uma enorme pressão para que os detidos sejam libertos. Há indicações de que o processo de legalização das detenções estaria previsto para esta quinta-feira (10), mas até ao fecho desta peça de reportagem, o Jornal Rigor não conseguiu obter confirmação oficial de que o acto tenha, de facto, ocorrido.
Porta-voz da PRM evita responder sobre detenções
No entanto, uma tentativa da nossa reportagem de obter esclarecimentos junto da porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Nampula, Rosa Chauque, resultou numa resposta evasiva. Sem permitir que a questão fosse concluída, a porta-voz interrompeu dizendo: “Quem prendeu? Eu já sei, é porque já fui questionada. Eu não tenho essa informação. Caso tenha, se de facto houve detenções, vou confirmar, eu vou ligar.”
A resposta pouco conclusiva reforça o ambiente de opacidade e silêncio institucional que tem rodeado este caso, apesar da gravidade das acusações e da inquietação crescente nas comunidades de Mogovolas.
População exige justiça e fim da impunidade
Seja como for, em Mogovolas, os empresários locais já festejam. A população, há muito tempo amedrontada, acolheu com alívio a notícia das detenções, mas exige que o processo seja transparente e resulte em justiça efectiva. “Esses homens eram o próprio problema. Não se pode proteger criminosos com farda”, afirmou um residente local sob anonimato.
Nova administradora acelera resposta institucional em Mogovolas
O Rigor soube que esta operação representa um dos primeiros resultados visíveis da nova administradora distrital de Mogovolas, empossada há menos de um mês. No seu primeiro discurso público, durante as celebrações do Dia da Vila, a 2 de Julho, a dirigente apelou à colaboração de todas as forças vivas da sociedade para tornar Mogovolas governável e livre de conflitos. A detenção da rede criminosa instalada dentro do próprio comando distrital da PRM parece ser uma resposta directa a esse compromisso.
O Jornal Rigor acompanha de perto este caso e continuará a actualizar com novos dados confirmados. Redacção
Domingos Castelo César
Julho 10, 2025 at 6:20 pm
Assim a Poeta-Voz da PRM ao nível da Província de Nampula não diz nada porque são os da corporação. Se fosse uns que só roubam galinhas, já teria respondida com exactidão.
Sentimental que vimos neste país. Os grandes da PRM a defender os seus filhos, mas podem ter razão. Quem lá sabe se comiam ou comem juntos?