ECONOMIA

Estudantes da Mussa Bin Bique denunciam rede de assédio sexual

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– Direcção diz não ter recebido queixas formais

Estudantes da Universidade Mussa Bin Bique (UMBB), em Nampula, denunciam a existência de casos de assédio sexual praticados por alguns docentes, que alegadamente usam o poder académico para tirar proveito das alunas. As denúncias, feitas sob anonimato por medo de represálias, apontam para o funcionamento de uma “rede” de professores coniventes entre si, sobretudo na Faculdade de Ciências Agrárias.

De acordo com os relatos recolhidos pelo Rigor, há professores que criam obstáculos propositais nas avaliações para depois se aproveitarem da vulnerabilidade das estudantes.

“Muitos professores tornam a vida das estudantes, especialmente das meninas, extremamente difícil”, contou uma aluna, visivelmente receosa de revelar a sua identidade.

Outra estudante descreveu a forma disfarçada como o assédio ocorre.

“Quando uma aluna está com dificuldades numa disciplina, o próprio docente aproxima-se dizendo: ‘Você não está indo bem nessa cadeira, me liga depois para conversarmos’. Mas, ao ligar, a verdadeira proposta aparece — quase sempre um pedido para manter relações sexuais em troca da aprovação”, relatou.

As estudantes afirmam que as que recusam tais propostas são reprovadas, não apenas na disciplina em causa, mas também em outras leccionadas por docentes ligados ao mesmo grupo.

“Há uma espécie de rede entre eles. Cada um marca as suas alunas como alvos. Quando um consegue o que quer, passa a informação para outro. E eles continuam a assediar as estudantes por mensagens e chamadas, de forma constante”, denunciou outra fonte.

O clima de medo e impunidade faz com que poucas estudantes apresentem queixa formal, temendo represálias e a exposição da sua identidade.

“Quando esses assuntos chegam à direcção, acabam por descobrir quem falou, e isso piora a situação das estudantes”, afirmou uma delas.

Outras fontes reforçam que, mesmo quando as denúncias chegam às estruturas da universidade, os processos não avançam.

“Chamam as pessoas, fazem perguntas, mas depois tudo fica no silêncio. Uma moça apresentou queixa porque o docente estava sempre atrás dela, e em todas as cadeiras que ele leccionava, ela reprovava. Quando denunciou, nada foi feito. É como se não tivesse acontecido nada”, lamentou uma estudante finalista.

Contactado pelo Rigor, o vice-reitor da Universidade Mussa Bin Bique, Mussena Amade Abdala, afirmou não ter conhecimento de nenhum caso de assédio sexual dentro da instituição.

“Eu nunca ouvi isso. A não ser que vocês, jornalistas, tenham evidências. Nesse caso, devem denunciar. Nós trabalhamos com base em provas e evidências. Quando uma denúncia chega até nós, tomamos as medidas necessárias e encaminhamos o caso às autoridades competentes”, garantiu.

As declarações contrastam com o testemunho das estudantes, que apontam uma falta de mecanismos eficazes de protecção e denúncia. Para muitas, a ausência de resposta institucional incentiva a continuidade dos abusos e mina a confiança das vítimas.

As estudantes,  pedem investigação imparcial e medidas de prevenção, afirmando que o assédio “não é pontual, é sistemático e antigo”. Redacção 

 

2 Comments

  1. Jamil Hachiro

    Novembro 14, 2025 at 7:10 pm

    Sou formado em ciências agrárias pela mesma universidade, realmente acontece muito e os ditos docentes são conhecidos por todos que lá frequentam. Quando eles descobrem que a estudante alvo tem um namorico com outro estudante és também encurralado. Os mesmos docentes em questão entraram nas turmas na quarta feira perguntando se eles têm feito isso kkk chega de ser engraçado.

  2. AM

    Novembro 27, 2025 at 10:11 pm

    É na porrada mano, quando é assim a justiça é o povo e não as coisas que chamam de autoridade

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