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Erosão dificulta acesso a escolas em Mpuecha e Muatala

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Na zona de Mutita, no bairro de Muatala, cidade de Nampula, a terra cedeu. A força das águas do rio Naphutha abriu um profundo corte nas margens, isolando parte da comunidade e dificultando severamente o acesso à Escola Básica de Mpuecha e à Escola Secundária de Muatala.

A situação, que se agravou com as chuvas intensas provocadas pelo ciclone Jude, transformou-se num drama diário para centenas de estudantes que, para chegarem à escola, enfrentam longos desvios ou arriscam a vida ao atravessar o leito fragilizado do riacho.

“Quando chove, temos de esperar a água baixar para tentar atravessar. Às vezes, voltamos para casa. Outras vezes, damos uma grande volta pela estrada principal. É muito longe e chegamos atrasados à escola”, lamenta Anito Henriques, aluno da 10.ª classe.

Com o solo cada vez mais instável, atravessar o local tornou-se perigoso. Ainda assim, muitos alunos enfrentam o risco com coragem, por falta de alternativa. Quando o tempo não permite, a travessia transforma-se numa verdadeira roleta russa entre o esforço pela educação e o risco de queda.

Leurino António, estudante da 12.ª classe, partilha o mesmo sentimento: “A situação aqui é mesmo grave. Quando chove, enche de água e muitas vezes perdemos aulas.”

O impacto da erosão também afecta outros moradores, como os mototaxistas, que se veem obrigados a abandonar os seus clientes a meio do percurso. Alex Fernando, mototaxista, explica:
“Parece seguro com essas madeiras que colocaram, mas não é. Não passo com motorizada. Esses paus não vão durar quando a chuva voltar. Precisamos de uma ponte forte, que resolva de vez.”

Sem apoio das autoridades municipais, os moradores ergueram uma ponte improvisada com troncos de madeira para garantir o mínimo de passagem durante a época seca. Mas a estrutura é frágil e claramente insuficiente.

“O que fizeram aqui não vai durar muito. Já está a desgastar. Quando a chuva cair, as águas vão levar tudo. Só pedimos ao Governo que nos ajude com uma ponte de verdade, para evitar que o pior aconteça”, clamou um morador, sob anonimato.

Este é apenas um entre tantos bairros da cidade de Nampula onde a erosão impõe obstáculos graves à circulação de pessoas e bens. Mas, neste caso, são estudantes que, todos os dias, enfrentam a lama, o medo e o abandono para não perderem o seu direito à educação. Redacção

 

 

 

 

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