SOCIEDADE
Entre mortos e surumáticos: Nampula sob ataque da fraude e da droga
Num curto intervalo de dias, a cidade de Nampula foi palco de dois escândalos distintos, mas simbolicamente inquietantes, revelando um sistema que falha tanto em proteger os vivos quanto em respeitar os mortos. A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve 13 indivíduos envolvidos em esquemas que vão desde o levantamento fraudulento de dinheiro de contas de falecidos até ao tráfico de estupefacientes disfarçado de serviços de moeda electrónica.
No primeiro caso, dois homens — um de 32 anos e o seu sogro, de 64 — foram apanhados a tentar levantar valores de uma conta bancária pertencente a um cidadão já falecido. O esquema, iniciado em Agosto de 2024, envolvia um funcionário bancário, actualmente foragido, que terá instruído os suspeitos a falsificarem documentos e imitarem a identidade do falecido. No total, foram desviados 204 mil meticais, em várias transacções. A PRM não descarta a existência de uma rede mais ampla por detrás do golpe.
No segundo caso, ocorrido no posto administrativo de Muatala, a polícia desmantelou uma boca de fumo disfarçada de agente de moeda electrónica. Foram detidas onze pessoas, entre elas o proprietário da residência e dez consumidores apanhados em flagrante. O dono do local utilizava um terminal de pagamentos para simular depósitos e levantamentos, enquanto vendia cannabis sativa (suruma) e anfetaminas. No local, foram apreendidos entorpecentes e cerca de 18 mil meticais, presumivelmente provenientes da venda de drogas.
Ambos os casos expõem de forma crua as fragilidades institucionais na gestão de contas bancárias e a crescente vulnerabilidade da juventude face ao consumo de drogas. A PRM promete reforçar a vigilância, mas os sinais são claros: em Nampula, nem os mortos descansam em paz — e os vivos afundam-se em suruma. Redacção